Pacientes denunciam Unimed Ferj por transferências para outras cidades por falta de vagas no Rio
Pacientes da cidade do Rio de Janeiro estão enfrentando uma situação crítica ao serem transferidos para outros municípios para receber atendimento médico, mesmo em casos de urgência. As reclamações são direcionadas à Unimed Ferj, que, segundo relatos de usuários, tem encaminhado beneficiários para cidades da Baixada Fluminense devido à falta de vagas na capital fluminense.
Caso emblemático de aposentado de 85 anos
Um dos casos mais emblemáticos é o do aposentado José Dílson, de 85 anos, residente na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Com a saúde debilitada, ele sofreu um infarto e necessitava de atendimento cardiológico emergencial. A família foi informada de que ele precisaria dar continuidade ao tratamento em um hospital especializado em Nova Iguaçu, devido à ausência de leitos disponíveis em unidades da capital.
Segundo familiares, a intenção inicial era que José fosse atendido no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, referência em cardiologia e que deveria aceitar o plano contratado. No entanto, eles afirmam que foram comunicados de que não havia vagas na unidade. Além do deslocamento para outro município, os familiares questionam a qualidade do atendimento prestado, destacando que contrataram o plano justamente para ter acesso a hospitais especializados no Rio de Janeiro, o que, segundo relatam, não tem ocorrido.
Relato da família e dificuldades enfrentadas
A filha do paciente, Cláudia Fernandes, conta que o pai deu entrada no pronto-socorro da Unimed Rio no dia 16, já infartado, e precisava realizar um cateterismo com urgência. “Meu pai deu entrada infartado e precisava fazer um cateterismo com urgência. Chegando lá, não tinha vaga. A Unimed demorou, inclusive, para colocá-lo em um leito de espera. Tivemos que entrar na Justiça”, relata. “O Judiciário concedeu uma liminar e, só então, mais de 24 horas depois, surgiu vaga em Nova Iguaçu. É assustador, porque ele paga o plano há mais de 40 anos, tem direito a hospital especializado, e não conseguiu ter acesso”.
A família também menciona que outros pacientes enfrentam situações semelhantes, sendo transferidos para hospitais fora da capital, inclusive para unidades que atendem simultaneamente pelo sistema público e de forma particular, como o hospital em Nova Iguaçu para onde José foi encaminhado. A necessidade de deslocamento para outro município dificulta o acompanhamento do paciente e gera insegurança em um momento crítico de saúde, especialmente devido à idade avançada de José.
Posicionamento da Unimed Brasil
Procurada, a Unimed Brasil informou, em nota, que está focada em reorganizar a rede e o fluxo de atendimento, priorizando a qualidade dos serviços prestados aos beneficiários. Sobre o caso de José Dílson, a operadora afirmou que vai avaliar a situação e dar uma resposta à família o mais rápido possível, esclarecendo o ocorrido. A empresa acrescentou que todas as informações serão apuradas para que as providências necessárias sejam tomadas.
Esta situação expõe uma crise mais ampla no atendimento de saúde privada no Rio de Janeiro, levantando questões sobre a capacidade da rede hospitalar em atender a demanda emergencial e os direitos dos consumidores de planos de saúde.