Surto de vírus Nipah na Índia coloca 110 pessoas em quarentena
Cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena na Índia devido a um novo surto do vírus Nipah, uma doença zoonótica com alto índice de letalidade que está na lista da Organização Mundial da Saúde de patógenos com potencial epidêmico. O isolamento foi determinado após dois profissionais de saúde serem tratados no início de janeiro após contraírem o vírus, que pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite.
Características e transmissão do vírus Nipah
O vírus Nipah é classificado como prioritário pela OMS devido à sua capacidade de desencadear epidemias. Não há vacina para prevenir a infecção nem tratamento específico para curá-la, o que contribui para sua taxa de mortalidade que pode chegar a 70%. A transmissão ocorre entre humanos e também de animais como morcegos frugívoros e porcos, podendo se dar por meio de alimentos contaminados ou contato direto com pessoas infectadas.
Rosana Richtmann, médica infectologista do Grupo Santa Joana, explica que o vírus é muito agressivo do ponto de vista do sistema nervoso central. Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, dor no corpo e febre, evoluindo em alguns dias para alterações do nível de consciência que podem levar a consequências neurológicas graves e até à morte.
Sintomas e diagnóstico da infecção
Nem todos os infectados apresentam sintomas visíveis, mas entre os que desenvolvem a doença, os sinais podem incluir:
- Sintomas semelhantes à gripe, como febre, dor muscular, fadiga e tontura
- Dificuldades respiratórias
- Encefalite, causando confusão, desorientação, sonolência e convulsões
Nos casos mais graves, há risco de coma e morte, e sobreviventes podem experimentar efeitos neurológicos de longo prazo. O diagnóstico é feito através de testes como RT-PCR em fluidos corporais e detecção de anticorpos por ELISA, além de isolamento viral por cultura de células.
Contexto geográfico e surtos anteriores
A preocupação com o vírus Nipah está principalmente restrita à Índia e países vizinhos, que abrigam o hospedeiro principal, um tipo de morcego. No Brasil, a situação é considerada mais tranquila, pois a América Latina não é o habitat natural desse reservatório.
O vírus foi inicialmente identificado em 1999 na Malásia, afetando criadores de suínos. Desde 2001, Bangladesh tem registrado surtos quase anuais. Na Índia, o pior surto ocorreu em 2018 em Calecute, com 17 mortes entre 18 casos confirmados. Especialistas alertam que a perda de habitat natural tem aumentado a proximidade entre animais e humanos, facilitando a transmissão zoonótica.
Evidências do vírus já foram encontradas em morcegos de espécies como Pteropus em diversos países, incluindo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia, indicando que outras regiões também podem estar em risco.