Investigação sobre ataque a cão Orelha em Florianópolis enfrenta desafios e prazo
Caso do cão Orelha: polícia tem prazo para depoimentos de suspeitos

Investigadores enfrentam obstáculos em caso de agressão a cão em Santa Catarina

A investigação sobre o ataque ao cão Orelha, brutalmente agredido na Praia Brava, em Florianópolis, Santa Catarina, encontra-se em um momento crítico devido à escassez de evidências diretas. Para dar prosseguimento à apuração, a polícia estabeleceu um prazo até esta quinta-feira, dia 5, para finalizar a coleta dos depoimentos dos adolescentes considerados suspeitos do crime. Os jovens foram identificados através de uma combinação de análises de câmeras de segurança e relatos de moradores da comunidade onde o animal residia.

Falta de imagens diretas complica o trabalho das autoridades

De acordo com a delegada Mardjoli Valcareggi, responsável pela Delegacia de Proteção Animal, existem aproximadamente mil horas de gravações de vídeo para serem examinadas, provenientes de 14 câmeras de segurança. No entanto, nenhuma dessas imagens capturou os maus-tratos sofridos por Orelha. As filmagens disponíveis mostram apenas a agressão a outro cachorro, conhecido como Caramelo, que teria sido vítima de uma tentativa de afogamento, mas conseguiu escapar ileso.

Inicialmente, quatro adolescentes eram tratados como suspeitos, mas um deles foi removido do caso e passou a ser considerado testemunha. A Polícia Civil esclareceu que, embora mencionado em um primeiro momento, o jovem não aparece nas imagens analisadas. Além disso, sua família apresentou provas que indicam que ele não estava presente na Praia Brava durante o período abrangido pelas investigações.

Cronologia do caso e repercussões públicas

O ataque ao animal ocorreu no dia 4 de janeiro, resultando em sua morte no dia seguinte. O caso ganhou notoriedade pública a partir do dia 16, pouco depois da abertura de um boletim de ocorrência. Em 26 de janeiro, mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos endereços dos investigados, e a polícia confirmou que três adultos – dois pais e um tio dos jovens – estão sendo investigados por suspeita de coação de testemunhas.

A defesa de dois dos adolescentes ainda sob investigação afirma veementemente que eles são inocentes e estão sofrendo um verdadeiro linchamento virtual. Segundo os advogados, houve uma discussão entre os adolescentes e o porteiro do condomínio, que teria fotografado os menores durante um ato de vandalismo. Em seu depoimento à polícia, o porteiro declarou que não presenciou nenhum espancamento e que apenas registrou os jovens danificando lixeiras. Este incidente ocorreu no dia 12 de janeiro, oito dias após o ataque ao cão.

Com a crescente repercussão sobre a morte de Orelha, o funcionário do condomínio teria enviado as imagens para um grupo de WhatsApp, sugerindo o envolvimento dos adolescentes no ataque. As famílias dos suspeitos apontam essa ação como a origem das acusações que pesam sobre os jovens.

Esclarecimentos oficiais e controvérsias políticas

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, fez importantes correções sobre informações divulgadas anteriormente. Ele esclareceu que o cão Orelha não sofreu eutanásia, mas morreu devido às consequências dos ferimentos graves. Além disso, negou qualquer relação, até o momento, entre o caso e desafios online divulgados na rede social Discord.

O fim de semana foi marcado por uma série de protestos em várias cidades brasileiras, onde centenas de pessoas se reuniram para pedir justiça pela morte de Orelha. Na avenida Paulista, em São Paulo, manifestantes carregaram cartazes e levaram seus animais de estimação. Protestos semelhantes ocorreram em Florianópolis, Porto Alegre e Vitória, demonstrando a comoção nacional em torno do caso.

Nos últimos dias, a condução das investigações tem sido alvo de duras críticas. Através das redes sociais, o delegado-geral Ulisses Gabriel compartilhou uma mensagem na qual foi chamado de "bolsonarista acéfalo" e afirmou que Santa Catarina estaria sendo alvo de ataques por ser um estado de direita. É importante ressaltar que ele não participa diretamente das investigações sobre o caso, que são conduzidas pelos delegados Mardjoli Valcareggi e Renan Balbino.

Ulisses já vinha enfrentando acusações de oportunismo após adotar o cão Caramelo, que sobreviveu à tentativa de afogamento na Praia Brava. Ele indicou que deve se desincompatibilizar do cargo para concorrer a deputado nas eleições deste ano. Outras críticas surgiram após a divulgação de uma fotografia antiga sua com o advogado Antônio Alexandre Kale, que defende um dos suspeitos. Segundo Ulisses, Kale é um delegado aposentado, e a última vez que conversaram foi em 28 de fevereiro de 2023.

"Não sou amigo, nem íntimo, de advogado do caso e não conheço os suspeitos investigados", declarou o delegado-geral em suas redes sociais. Ele também afirmou que vai entrar com uma ação de danos morais contra a pessoa que atribuiu uma amizade entre ambos, reforçando sua posição de neutralidade no processo.