Prima relata momentos de terror no resgate de adolescente morto por tubarão em Olinda
A tragédia que vitimou o adolescente Deivson Rocha Dantas, de apenas 13 anos, após um ataque de tubarão na Praia Del Chifre, em Olinda, foi narrada em detalhes pela prima da vítima, Lídia Emanuele, de 14 anos. Em entrevista à TV Globo, ela descreveu a cena chocante e a luta desesperada dos amigos para salvar o garoto, que brincava no mar antes do incidente ocorrido na quinta-feira (29), por volta das 14h.
O ataque e o resgate improvisado pelos amigos
Lídia contou que Deivson foi retirado do mar pelos outros jovens, todos da mesma idade, após o tubarão morder sua coxa. "[O tubarão] comeu quase a perna dele toda. A gente ligou para o Samu, mas eles não chegaram a tempo. Então, quem tirou ele foram os próprios amigos dele, da mesma idade dele", afirmou. Ela detalhou que os amigos arrastaram o adolescente até a esquina e o colocaram no chão, onde ele desmaiou e bateu a cabeça, já apresentando sinais de hipotermia.
A prima revelou que foi à praia para chamar Deivson, que havia saído de casa sem o consentimento da mãe. Ao chegar, testemunhou o momento do resgate e viu o animal. "Eu só consegui ver a barbatana e um pouco do tubarão. Ele era grande", disse Lídia, destacando a falta de presença de profissionais no local.
Falta de estrutura e apelo por atenção
Após retirarem o jovem do mar, Lídia e os amigos conseguiram um carro com a ajuda de um pastor para levar Deivson ao Hospital do Tricentenário, em Bairro Novo, Olinda. No entanto, ela criticou a ausência de infraestrutura de segurança na praia, que, apesar de ter placas de sinalização sobre risco de tubarão, não conta com posto de guarda-vidas ou bombeiros.
"Eu só queria que a gente fosse um pouco notado, porque aqui não tem um bombeiro. A gente é meio que esquecido aqui. Aqui não tem um bombeiro, aqui não tem um Samu. A gente só queria ser notado mesmo e que a justiça seja feita", declarou a adolescente, ecoando um sentimento de abandono pela comunidade.
Histórico de ataques e respostas oficiais
O surfista André Luiz Gomes da Silva, que sobreviveu a um ataque de tubarão na mesma praia em fevereiro de 2023, voltou ao local após o novo caso e reforçou as críticas. "A gente aqui não tem apoio de nada, não tem um salva-vidas aqui, não tem Guarda Municipal aqui que venha apoiar", disse, lamentando a morte de uma criança e a degradação das placas de alerta.
O Comitê de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit) informou, em nota divulgada na quinta-feira (29), que há 150 placas de sinalização no litoral de Pernambuco, com 13 em Olinda e quatro especificamente na Praia Del Chifre. A área é monitorada desde a década de 90 e incluída em decreto estadual que interdita atividades náuticas devido ao alto risco. Representantes do governo estadual estiveram no hospital para prestar apoio à família e coletar informações.
Este incidente reforça a necessidade urgente de melhorias na segurança costeira, especialmente em locais com histórico de ataques, como a Praia Del Chifre, que concentra todos os casos notificados em Olinda.