Ex-marido condenado a 25 anos por queimar viva estudante no Rio
A Justiça do Rio de Janeiro condenou Vagner Dias de Oliveira a 25 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato da estudante Raphaela Salsa Ferreira, de 38 anos. O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (29) em um júri popular, onde o réu foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver, mas considerado culpado pelo crime de homicídio qualificado.
Laudo revela morte por queimaduras com vítima viva
O laudo pericial de necropsia apresentado durante o processo indicou que Raphaela foi queimada ainda viva. Segundo o documento, foram encontrados vestígios de fuligem na língua da vítima, sugerindo que ela inalou fumaça enquanto estava consciente. O perito estimou que a morte ocorreu por intoxicação pela fumaça, concomitante à carbonização e asfixia por ação bioquímica e térmica.
"O evento térmico se deu com a vítima viva", afirma um trecho do relatório. Após a asfixia, o corpo foi completamente carbonizado, sendo encontrado em meio a mata na BR-101, a mais de 40 quilômetros de sua residência na Zona Oeste do Rio.
Detalhes da investigação e depoimentos no júri
A polícia investigou o caso como feminicídio, com base em depoimentos que revelaram um histórico de ciúmes e violência por parte do ex-marido. Durante o julgamento, foram ouvidas testemunhas de acusação, incluindo a filha da vítima e frentistas de um posto de gasolina.
- A filha de Raphaela relatou que Vagner desejava retomar o casamento e conhecia detalhadamente a rotina da ex-esposa. Ela também descreveu agressões anteriores, ocorridas em 2014, e um comportamento controlador por parte do réu.
- Um frentista confirmou ter recebido uma ligação para separar o combustível utilizado no crime, enquanto outra testemunha afirmou que o réu pediu para não usar o carro emprestado após o desaparecimento da vítima.
- Imagens de câmeras de segurança mostraram Vagner próximo à unidade escolar onde Raphaela estudava e seguindo o carro de aplicativo em que ela viajava no dia do crime.
Relação conturbada e medo da vítima
Familiares e o atual namorado de Raphaela testemunharam que a estudante temia as reações do ex-marido devido a ciúmes excessivos. O relacionamento entre Vagner e Raphaela durou 14 anos, resultando em dois filhos, e a separação havia ocorrido aproximadamente três meses antes do crime.
A filha mais velha da vítima expressou preocupação, afirmando que se Vagner descobrisse o novo relacionamento da mãe, poderia não "controlar a indignação e fazer alguma coisa de muito ruim". O atual namorado confirmou que mantinham o romance em segredo para evitar conflitos.
Defesa do réu e desfecho do caso
Durante o julgamento, Vagner Dias de Oliveira optou por não responder perguntas da juíza, do Ministério Público ou da assistência de acusação, limitando-se a falar apenas com sua defesa. Ele negou ter assassinado Raphaela e afirmou que não pegou o carro emprestado, contradizendo depoimentos de testemunhas.
O réu também confirmou que participou das buscas pela vítima durante os dois dias em que ela esteve desaparecida, inclusive indo ao Instituto Médico Legal quando o corpo foi reconhecido. Raphaela sumiu em uma quinta-feira e foi encontrada carbonizada no domingo seguinte.
Com a condenação, Vagner foi transferido da Delegacia de Homicídios para o sistema prisional do Rio, onde começará a cumprir a pena de 25 anos em regime fechado. O caso chama atenção para a gravidade da violência doméstica e a importância da atuação da Justiça em crimes de feminicídio.