Médico alerta: Tirzepatida irregular coloca vida em risco, caso em BH expõe perigo
Tirzepatida irregular: caso grave em BH alerta para riscos

Médico explica por que não prescreve tirzepatida manipulada ou ‘Mounjaro do Paraguai’

Um caso grave em Belo Horizonte está servindo como alerta nacional sobre os perigos do uso irregular de medicamentos para emagrecimento. Uma mulher de 42 anos encontra-se internada em estado gravíssimo após utilizar uma tirzepatida injetável adquirida de forma irregular, possivelmente proveniente do Paraguai, conforme relato da família.

A paciente apresentou fortes dores abdominais e rapidamente evoluiu para complicações neurológicas, paralisia muscular e insuficiência respiratória, necessitando de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Este episódio não é isolado, mas sim um reflexo de uma prática crescente e extremamente arriscada: a busca por soluções rápidas para perda de peso sem acompanhamento médico adequado.

Os riscos das versões não oficiais do Mounjaro

A tirzepatida é um medicamento injetável originalmente aprovado para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, com estudos recentes demonstrando benefícios adicionais, como redução de riscos cardiovasculares. No entanto, seu apelo na redução de peso corporal tem levado muitas pessoas a procurar alternativas irregulares, manipuladas ou contrabandeadas, frequentemente comercializadas como soluções milagrosas.

Conforme explica o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto, medicamentos manipulados como a tirzepatida, embora permitidos em situações excepcionais pelas normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não são testados em grandes estudos clínicos com doses variadas. Para substâncias injetáveis, fatores como pureza, dosagem e qualidade da matéria-prima são críticos e exigem padrões elevadíssimos.

Na prática, observa-se farmácias de manipulação produzindo tirzepatida em larga escala e realizando propagandas, o que contraria a proposta original desses estabelecimentos, destaca o especialista. Além disso, importações irregulares do Paraguai ocorrem fora do controle sanitário brasileiro, sem garantias de transporte adequado, conservação ou autenticidade do produto.

Automediação e falta de acompanhamento agravam os perigos

O uso dessas versões não oficiais é frequentemente acompanhado por automedicação, o que amplifica os riscos. Sem prescrição médica, os pacientes não realizam exames prévios para identificar contraindicações, não utilizam doses corretas e não têm monitoramento de efeitos adversos.

Como profissional da saúde, sou absolutamente contra o uso da tirzepatida fora da via médica e legal, seja manipulada ou importada irregularmente, afirma Couri. Ele ressalta que a venda desses medicamentos em consultórios e clínicas, muitas vezes de forma indiscriminada, fere princípios éticos fundamentais da medicina, como independência e responsabilidade.

No debate sobre emagrecimento e tratamento da obesidade, não existe atalho mágico. Medicamentos potentes como a tirzepatida exigem prescrição, monitoramento e responsabilidade, conclui o endocrinologista. O uso de alternativas sem critério pode custar não apenas a saúde, mas também a vida, como demonstra o caso em Belo Horizonte.