RN bate recorde com 426 transplantes em 2025, mas fila de espera ainda preocupa
RN: 426 transplantes em 2025, mas fila de espera preocupa

O Rio Grande do Norte alcançou um marco histórico na área da saúde em 2025, com um recorde no número de transplantes de órgãos realizados no estado. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), foram executados 426 procedimentos ao longo do ano, um avanço significativo que reflete os esforços contínuos do sistema de saúde potiguar.

Distribuição dos transplantes por tipo de órgão

Os transplantes de medula óssea lideraram o volume, com 186 procedimentos realizados, demonstrando uma capacidade aprimorada no tratamento de doenças hematológicas. Em seguida, vieram os transplantes de córneas, que somaram 183 cirurgias, um número expressivo que, no entanto, ainda não é suficiente para suprir a demanda estadual.

Além disso, o estado registrou 56 transplantes de rins e um transplante cardíaco, este último sendo um procedimento de alta complexidade que evidencia a especialização crescente das equipes médicas locais. Cada um desses números representa vidas transformadas e esperanças renovadas para pacientes e suas famílias.

Desafios persistentes na fila de espera

Apesar do progresso observado, a secretaria estadual de saúde destacou que o número de doações ainda precisa aumentar substancialmente para atender à demanda acumulada de pacientes que aguardam na fila. Em novembro de 2025, o Rio Grande do Norte ocupava a terceira posição na maior fila de espera por transplante de córnea em toda a região Nordeste, um dado que preocupa autoridades e profissionais da saúde.

Pacientes em necessidade de córneas podem esperar até três anos para conseguir passar pelo procedimento, um período que impacta diretamente sua qualidade de vida e visão. Em dezembro de 2025, a fila de espera por córneas contabilizava 624 pessoas, um número que ilustra a urgência do tema.

O estado ainda registrava 326 pessoas aguardando doação de rins, um paciente precisando de transplante de coração e 14 de medula óssea. Essas estatísticas reforçam a necessidade contínua de conscientização e ação em prol da doação de órgãos.

Apelo por mais doações e conscientização familiar

Rogéria Medeiros, coordenadora da Central Estadual de Transplantes do RN, enfatizou a importância do apoio populacional para aumentar as doações. “Embora o número de transplantes venha crescendo, precisamos aumentar o número de doações. Para isso, é muito importante o apoio da população para que o assunto da doação de órgãos seja abordado dentro das famílias”, afirmou.

Ela completou: “No momento de luto e de dor, quando você recebe a notícia de que um familiar faleceu e já sabe que é da vontade dele ser um doador, isso torna o processo mais rápido e fácil. Ser um doador é transformar a dor em vida. O seu familiar vai estar vivo em outras pessoas”. Essas palavras resumem o impacto profundo e humanitário da doação de órgãos.

Coordenação e logística dos transplantes no RN

Além de organizar os transplantes realizados no estado, a Central Estadual de Transplantes também é responsável por coordenar a captação de órgãos junto aos hospitais. Em alguns casos, os órgãos são enviados para outros estados do país, em operações que contam com o apoio da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Civil (Sesed) e da Força Aérea Brasileira (FAB).

Essa logística complexa envolve múltiplas etapas, desde a identificação de doadores até o transporte seguro e rápido dos órgãos, garantindo que eles cheguem em condições ideais para os receptores. A colaboração interinstitucional é fundamental para o sucesso dessas operações, que muitas vezes ocorrem em cenários de urgência e precisão.

O recorde de transplantes em 2025 é um testemunho do trabalho dedicado de profissionais de saúde, voluntários e familiares que abraçam a causa da doação. No entanto, o caminho a percorrer ainda é longo, com a fila de espera servindo como um lembrete constante da necessidade de mais engajamento social e políticas públicas eficazes.