Ribeirão Preto implementa nova unidade de saúde após suspensão de atendimentos na Beneficência Portuguesa
O prefeito de Ribeirão Preto, Ricardo Silva, do PSD, anunciou nesta quinta-feira a criação de uma Unidade de Retorno Assistencial para auxiliar nos atendimentos de saúde na cidade. A medida é uma resposta imediata à determinação judicial que proibiu o encaminhamento de pacientes do Sistema Único de Saúde para o setor de urgência e emergência do Hospital Beneficência Portuguesa.
Nova estrutura para desafogar o sistema de saúde
A Unidade de Retorno Assistencial, que deve começar a operar na próxima semana, será responsável por receber pacientes com suspeita de internação, mas cujos casos ainda não estão consolidados ou não têm segurança para alta. Segundo o prefeito, essa iniciativa visa dar vazão a um gargalo crítico no sistema de saúde local.
"Criamos a URA para dar vazão, porque esse é um gargalo, a questão de internação, mesmo sendo regulação do estado, acaba recaindo nas costas da prefeitura toda essa situação de organização", explicou Ricardo Silva durante o anúncio. Outros detalhes sobre a estrutura serão divulgados em uma coletiva de imprensa marcada para esta sexta-feira.
Alerta para risco de superlotação em hospitais
A decisão judicial gerou um alerta significativo para o risco de superlotação nos outros três hospitais da cidade que passarão a receber as novas demandas: Hospital das Clínicas, Santa Casa e Santa Lydia. Estima-se que, em média, mais 30 pessoas por dia serão encaminhadas das unidades de pronto atendimento do município para esses hospitais.
Rafael Borella, diretor do Hospital Santa Lydia, destacou que a instituição já está se preparando para o aumento no número de encaminhamentos e internações. "Uma série de detalhes tem que ser pensada, não apenas no aumento do número de leitos, mas também isso, assim como novos profissionais, a redistribuição dos fluxos, de acordo com a gravidade de cada caso", afirmou.
Em nota, a Unidade de Emergência do Complexo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto informou que manterá o atendimento à rede de urgência e emergência, mesmo diante da possibilidade de aumento da demanda. A instituição ressaltou que atua de forma integrada com as centrais de regulação estadual e municipal.
A Santa Casa, por sua vez, ponderou que já absorve grande volume de atendimentos e opera em cenário de elevada lotação assistencial, mas se comprometeu a contribuir na elaboração de alternativas para garantir a atenção às urgências e emergências da população.
Motivos da suspensão na Beneficência Portuguesa
A decisão judicial que levou a essa reestruturação foi tomada pela juíza Lucilene Aparecida Canella de Melo, da 2ª Vara da Fazenda Pública, após uma ação civil pública do Ministério Público. A ação apontou irregularidades graves e persistentes no Hospital Beneficência Portuguesa, incluindo:
- Ausência de enfermeiro em locais onde são desenvolvidas atividades de enfermagem
- Superlotação, com pacientes mantidos em macas nos corredores ou internados por até cinco dias à espera de vagas
- Ausência de quartos exclusivos com antessala para isolamento de pacientes com bactérias multirresistentes
- Falhas na anotação de responsabilidade técnica
- Diferença entre o setor destinado a convênios e o destinado ao SUS, em condições inferiores
A Justiça estabeleceu um prazo de 90 dias para que o hospital tome as providências necessárias, incluindo a reorganização de salas para garantir distanciamento mínimo entre leitos e a disponibilização de uma equipe multiprofissional completa. Durante esse período, o município e o estado de São Paulo estão proibidos de encaminhar pacientes para a urgência e a emergência da Beneficência.
Em resposta, a Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto informou que a ação civil pública se refere exclusivamente ao Setor de Pronto Atendimento SUS, devido à necessidade de adequações estruturais. A instituição afirmou que possui projeto aprovado pela Vigilância Sanitária e está adotando as providências necessárias para viabilizar sua execução, mantendo diálogo permanente com a Secretaria da Saúde.
Importante destacar que os demais serviços do hospital, incluindo internações, cirurgias, atendimentos ambulatoriais, convênios e particulares, seguem funcionando normalmente. A situação coloca em evidência os desafios enfrentados pelo sistema público de saúde em Ribeirão Preto e as medidas emergenciais adotadas para garantir a continuidade dos atendimentos à população.