Surto de doença de Chagas em Ananindeua já registra quatro mortes, incluindo criança de 11 anos
A Prefeitura de Ananindeua, município localizado na região metropolitana de Belém, no Pará, confirmou a quarta morte causada pela doença de Chagas na localidade. A vítima mais recente é uma menina de apenas 11 anos, que faleceu após quase duas semanas internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular situado no bairro do Umarizal, em Belém.
De acordo com informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Saúde, exames laboratoriais confirmaram que a criança contraiu a doença e apresentou um agravamento significativo do quadro clínico, evoluindo para insuficiência cardíaca, considerado o estágio mais grave da infecção pelo protozoário Trypanosoma cruzi.
Casos monitorados e transmissão associada ao açaí
A família da menina relatou que ela consumiu açaí no município de Ananindeua, o que levanta suspeitas sobre a via de transmissão. O irmão da vítima, também uma criança, encontra-se internado com diagnóstico confirmado de doença de Chagas, reforçando a preocupação com a contaminação alimentar.
Segundo dados oficiais da prefeitura, 40 casos da doença estão sendo monitorados no município desde o mês de dezembro. Desse total, 26 casos começaram a ser acompanhados no final do ano passado, e outros 14 foram confirmados em janeiro. As quatro mortes registradas ocorreram todas neste mês, indicando uma aceleração preocupante do surto.
O hospital onde a criança estava internada notificou a Secretaria de Saúde do Pará na última sexta-feira, e os dados foram inseridos no sistema oficial de monitoramento epidemiológico.
Ministério da Saúde classifica situação como surto e intensifica ações
No mesmo dia, o Ministério da Saúde emitiu um comunicado informando que acompanha de perto a situação epidemiológica da doença de Chagas em Ananindeua e classificou o cenário como um surto, associado à transmissão oral, que ainda está sob investigação detalhada.
Conforme explicou o ministério, as ações de resposta envolvem uma articulação coordenada com a Secretaria de Saúde do Estado, secretarias municipais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde. Entre as medidas prioritárias estão:
- A investigação minuciosa de todos os casos confirmados e suspeitos.
- A assistência integral e especializada aos pacientes afetados.
- A avaliação rigorosa das condições sanitárias na cadeia de produção e comercialização de alimentos, especialmente o açaí.
A Secretaria de Saúde de Ananindeua informou que intensificou as ações de vigilância, monitoramento e atendimento aos pacientes, seguindo estritamente os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, com apoio técnico fundamental do Instituto Evandro Chagas.
Esclarecimento sobre a transmissão oral e orientações à população
Segundo o médico infectologista Alessandre Guimarães, a doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e pode ser transmitida por diferentes vias. “A transmissão oral pode ocorrer quando o açaí é contaminado durante o processo de preparo, especialmente quando não são adotadas medidas sanitárias adequadas, como a higienização correta dos equipamentos e a pasteurização do produto”, explicou o especialista.
Diante do aumento expressivo dos registros, a Secretaria de Saúde de Ananindeua reconhece publicamente que o município enfrenta um surto de doença de Chagas e reforça a importância de três pilares fundamentais:
- A fiscalização rigorosa por parte das autoridades sanitárias.
- A adoção de boas práticas sanitárias pelos comerciantes e produtores de açaí.
- A atenção redobrada dos consumidores ao local onde adquirem o produto, preferindo estabelecimentos que sigam normas de higiene.
É importante destacar que o tratamento da doença de Chagas é ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A orientação oficial é que, ao apresentar sintomas como febre, mal-estar, inchaço ou complicações cardíacas, a população procure imediatamente a Unidade Básica de Saúde mais próxima do município para avaliação médica e encaminhamento adequado.
O surto em Ananindeua serve como um alerta para a necessidade de fortalecer as políticas de vigilância em saúde e garantir a segurança alimentar em todas as etapas da cadeia produtiva, protegendo especialmente as populações mais vulneráveis, como crianças e idosos.