Professor de Limeira retorna ao Brasil após AVCs no México; família critica falta de apoio governamental
Um mês após sofrer acidentes vasculares cerebrais (AVCs) no México e ser internado em estado grave e inconsciente, o professor de história Wagner de Oliveira Fernandes, natural de Limeira, no interior de São Paulo, finalmente retornou ao Brasil. A repatriação foi realizada por sua família, que relata uma falta significativa de suporte do governo brasileiro durante todo o processo.
Viagem de férias transformada em pesadelo médico
Wagner estava em viagem de férias com sua esposa, a médica Silvana Penachione, com o objetivo de explorar a rica história das civilizações pré-colombianas e a cultura mexicana. No entanto, a estadia no país se transformou em uma emergência médica. No dia 9 de dezembro de 2025, o professor sofreu uma arritmia cardíaca, sendo internado no dia seguinte.
Já no dia 12 de dezembro, ele enfrentou um AVC, conforme diagnosticado pela própria esposa. "Cheguei para visitá-lo e, na maca, percebi o AVC. Eu fiz o diagnóstico de AVC dele. Os profissionais do hospital não haviam percebido", relatou Silvana. Para tratar a condição, Wagner passou por uma trombectomia, um procedimento invasivo e arriscado, seguido por pequenos focos de AVC hemorrágico secundário.
Repatriação custosa e desafiadora
Diante da gravidade da situação e da ausência de apoio oficial, a família precisou recorrer a medidas extremas para trazer Wagner de volta ao Brasil. Eles organizaram uma vaquinha online e contraíram um empréstimo para custear a repatriação, realizada por meio de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea.
A viagem de retorno durou aproximadamente 24 horas, envolvendo deslocamentos de ambulância, escalas e o voo propriamente dito. Atualmente, Wagner está internado em um hospital de Campinas, também no estado de São Paulo, onde se encontra em estado estável, mas com sequelas como afasia e hemiparesia.
Foco na reabilitação e busca por apoio
O foco agora está na reabilitação do professor, incluindo a necessidade de uma cama hospitalar adequada, cadeira especializada e fisioterapia intensiva. Silvana expressou a dor emocional vivida pela família: "A dor foi em muitas camadas. Passar por um AVC já é difícil. O que passamos foi bastante assustador". Ela destacou o caráter amoroso e generoso de Wagner, afirmando que ele merecia retornar para receber o afeto que sempre ofereceu em suas aulas.
Críticas ao governo e proposta de projeto de lei
Insatisfeita com a falta de assistência, Silvana anunciou planos para mobilizar deputados e propor um projeto de lei que proteja brasileiros em situações similares no exterior. "Precisamos de lei que nos protejam quando estamos em deslocamento. Não existe política de repatriação de brasileiros vivos. Só mortos, veja que absurdo", lamentou.
Ela defende a criação de mecanismos que garantam tratamento digno para cidadãos brasileiros em emergências médicas internacionais, sugerindo até mesmo um aumento nos seguros para cobrir tais eventualidades.
Posicionamento do consulado brasileiro
Em resposta às críticas, o Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil na Cidade do México, emitiu uma nota afirmando que prestou "a assistência consular cabível". No entanto, não foram fornecidos detalhes sobre a natureza dessa assistência, citando a proteção à privacidade e a legislação vigente como justificativas para a falta de transparência.
A nota reforçou que a atuação consular segue as normas internacionais e nacionais, e que informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços não são divulgadas publicamente.