Paralisação do INSS deixa aposentados sem atendimento e gera filas e revolta pelo Brasil
Paralisação do INSS gera filas e revolta de aposentados

A quarta-feira, 28 de janeiro, foi marcada por portas fechadas e muita frustração para aposentados e pensionistas em todo o Brasil. Quem se dirigiu a qualquer agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encontrou os estabelecimentos sem funcionamento, em uma paralisação que suspendeu o atendimento ao público até domingo, 1º de fevereiro.

Reclamações e filas se espalham pelo país

A falta de aviso prévio adequado sobre a interrupção dos serviços gerou uma onda de reclamações e situações de desespero. Em diversas cidades, filas se formaram diante das agências, com segurados que viajaram longas distâncias sem saber do fechamento.

"Olha aí. Gente chegando. Fechado, né? E por que que eles não avisaram?", questiona a cabelereira Flávia Tereza Araújo, que está há seis meses sem receber seus benefícios. Ela precisa passar por uma perícia médica após uma lesão que a impede de trabalhar, mas viu seus planos frustrados pela paralisação.

Casos emblemáticos de prejuízo

Em Dourados, Mato Grosso do Sul, o aposentado João Gomes dos Santos relatou que não havia qualquer sinalização sobre a suspensão do atendimento. "E não está escrito aqui que não vai atender. O guarda saiu e avisou nós: 'Pode ir embora. Só segunda-feira'", contou ele, evidenciando a falha na comunicação.

Já em Manaus, a dona de casa Miriam Vasconcellos enfrentou uma jornada de quatro horas de ônibus para uma reavaliação do benefício de sua filha Yasmin, que tem autismo. Sem conseguir atendimento, ela expressou medo de perder o Benefício de Prestação Continuada (BPC). "Revolta, né? Revolta, porque não sei o que que eu vou fazer. Infelizmente", desabafou.

Modernização do sistema e falhas na comunicação

A paralisação, que começou na terça-feira, 27 de janeiro, à noite, é resultado de uma ação da Dataprev para modernizar os sistemas do INSS. Durante esse período, não haverá atendimento nas agências, no aplicativo Meu INSS ou na Central 135.

O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que os segurados foram informados sobre a suspensão desde 9 de janeiro, através dos canais oficiais e por ligações telefônicas para quem tinha agendamento até sexta-feira. No entanto, ele reconheceu que problemas de comunicação ocorreram, especialmente porque os sistemas da Dataprev ficaram indisponíveis na semana anterior, agravando a situação.

"Junto com essa paralisação, ocorreu que os sistemas da Dataprev ficaram a semana passada toda indisponíveis. Isso gera esse prejuízo na comunicação, isso gera esse problema", explicou Waller.

Compensação e mutirão de atendimento

Para mitigar os impactos, o INSS anunciou que os segurados que perderam agendamentos terão prioridade a partir da próxima semana. Além disso, será realizado um mutirão de atendimento no fim de semana de 7 de fevereiro.

"Segunda-feira voltam os sistemas, voltamos a abrir as agências da Previdência normalmente para o atendimento ordinário. Faremos um mutirão para poder diminuir esse impacto também do fechamento", garantiu o presidente.

Entre os afetados está a jornalista Suyane Macedo, que aguarda atendimento para resolver questões sobre sua licença maternidade. "Semana que vem eu vou ter que sair da minha casa, com meu bebezinho de um mês, procurar uma agência novamente para saber o que que aconteceu com o meu processo. Porque eu preciso saber se vou receber minha licença maternidade ou não", relatou ela.

Necessidade da modernização e perspectivas futuras

A Dataprev justificou a parada técnica como necessária para a modernização do sistema do INSS, visando melhorias na eficiência e na segurança dos serviços prestados. Apesar dos transtornos imediatos, a expectativa é que a atualização traga benefícios a longo prazo para os segurados.

Enquanto isso, a paralisação serve como um alerta sobre a importância de uma comunicação clara e eficaz em serviços públicos essenciais, especialmente quando envolvem populações vulneráveis, como aposentados e pessoas com deficiência.