Mulher em estado grave após usar caneta emagrecedora ilegal do Paraguai
A auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes encontra-se internada em estado grave após utilizar uma caneta emagrecedora vendida ilegalmente e sem prescrição médica, proveniente do Paraguai. Segundo informações de familiares, ela foi diagnosticada com a Síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma condição neurológica rara e grave que representa um risco significativo à saúde.
O que é a Síndrome de Guillain-Barré?
A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune em que o sistema imunológico do corpo ataca erroneamente o sistema nervoso periférico. Isso resulta em uma inflamação dos nervos, levando a sintomas como fraqueza muscular, formigamento, dormência e, em casos mais severos, paralisia total. Embora a causa exata permaneça desconhecida, a síndrome frequentemente está associada a infecções virais anteriores, mas também pode ser desencadeada por certos medicamentos ou substâncias, como no caso relatado.
Sintomas e diagnóstico da doença
Os sintomas da Guillain-Barré costumam ser predominantemente motores, com um padrão ascendente que começa pelos pés, sobe para as pernas e posteriormente atinge os braços. Isso pode causar dificuldade para caminhar e manusear objetos, podendo evoluir para paralisia facial, onde o indivíduo perde a expressão facial. O neurologista Osvaldo Nascimento, da Universidade Federal Fluminense, destaca que sintomas sensitivos, como dormência e dores nas extremidades, também podem estar presentes.
Outros sinais relacionados à síndrome, conforme o Ministério da Saúde, incluem:
- Sonolência e confusão mental
- Crise epiléptica e alteração do nível de consciência
- Perda da coordenação muscular e visão dupla
- Fraqueza facial, tremores e redução do tono muscular
- Dormência, queimação ou coceira nos membros
O diagnóstico não é simples, pois não há um teste específico. Nos primeiros dias, os sintomas são clínicos e não aparecem em exames, exigindo que os profissionais de saúde estejam atentos ao reconhecimento clínico. Exames como a análise do líquido cefalorraquidiano e a eletroneuromiografia podem auxiliar no diagnóstico posteriormente, mostrando alterações como aumento de proteínas ou lesões na mielina.
Causas e fatores de risco
Várias infecções têm sido associadas à Síndrome de Guillain-Barré, sendo a infecção por Campylobacter, que causa diarreia, a mais comum. Outras incluem vírus como Zika, dengue, chikungunya, citomegalovírus, Epstein-Barr, sarampo, influenza A, e doenças como hepatite e HIV. No caso de Kellen, o uso da caneta emagrecedora ilegal pode ter precipitado uma reação imunológica que desencadeou a síndrome, destacando os perigos de produtos não regulamentados.
Tratamento e recuperação
O tratamento depende da gravidade do caso, podendo envolver internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com paralisia respiratória ou alterações cardíacas. Geralmente, é realizado com imunoglobulina administrada por cinco dias ou plasmaferese, uma troca de plasma para remover anticorpos envolvidos na doença. Segundo o neurologista Osvaldo Nascimento, a maioria dos pacientes tem recuperação completa após o tratamento, mas cerca de 15% podem deixar sequelas e 5% podem evoluir a óbito devido a complicações graves.
A fisioterapia desempenha um papel crucial nos casos mais severos, ajudando a prevenir atrofia muscular e manter a motricidade, embora não seja suficiente por si só para resolver o problema.
Por que canetas emagrecedoras ilegais são um risco para a saúde?
Canetas emagrecedoras vendidas ilegalmente, como a utilizada por Kellen, representam um perigo iminente à saúde pública. Esses produtos são comercializados sem prescrição médica, fora dos canais regulamentados, e podem conter substâncias não testadas ou em dosagens perigosas. O uso indiscriminado pode desencadear reações adversas graves, incluindo condições neurológicas como a Síndrome de Guillain-Barré, além de outros efeitos colaterais não documentados. A falta de controle sanitário e a origem duvidosa desses itens aumentam os riscos, colocando em perigo a vida dos consumidores que buscam soluções rápidas para perda de peso.
Este caso serve como um alerta urgente sobre os perigos de medicamentos e produtos emagrecedores ilegais, enfatizando a importância de seguir orientações médicas e adquirir itens apenas em estabelecimentos autorizados. A vigilância sanitária e a educação pública são essenciais para prevenir novos incidentes e proteger a saúde da população.