MP de Roraima pede interdição urgente da cozinha do maior hospital do estado
MP pede interdição da cozinha do Hospital Geral de Roraima

MP de Roraima pede interdição urgente da cozinha do maior hospital do estado

O Ministério Público de Roraima emitiu uma recomendação urgente nesta terça-feira, dia 27, solicitando a interdição imediata da área de produção de sucos e manipulação de alimentos do Hospital Geral de Roraima (HGR), a maior unidade de saúde do estado. A medida foi tomada após a promotoria receber denúncias graves de pacientes que relataram a suposta presença de insetos e larvas nas refeições fornecidas pelo hospital.

Condições sanitárias precárias reveladas em inspeção

Uma inspeção detalhada realizada no local expôs uma situação alarmante, com condições higiênico-sanitárias totalmente inadequadas, em desacordo com a legislação vigente. O relatório técnico, elaborado em dezembro de 2025 pela Vigilância Sanitária, confirmou a gravidade do cenário, levando o MP a agir rapidamente para proteger a segurança alimentar dos pacientes e acompanhantes.

Entre os principais problemas estruturais identificados na cozinha do HGR, destacam-se:

  • Presença de um ponto de esgoto sem tampa de vedação dentro do ambiente de preparo dos alimentos
  • Acúmulo de água servida nas áreas de manipulação, criando um foco de contaminação
  • Instalações elétricas com fios expostos e em estado deficiente, representando risco adicional
  • Materiais de limpeza armazenados em locais inadequados, próximos aos alimentos
  • Pisos, paredes e tetos que necessitam de reforma urgente para evitar a proliferação de vetores

Resposta da Secretaria de Saúde e medidas emergenciais

Em resposta ao g1, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que recebeu a recomendação do Ministério Público e que todas as medidas estão em andamento. A pasta afirmou ter assinado uma ordem de serviço para a conclusão imediata da reforma da cozinha do hospital dentro do prazo estabelecido.

Atualmente, a alimentação dos pacientes está sendo produzida em uma cozinha industrial localizada fora da unidade hospitalar, que atende às exigências sanitárias mínimas. A Sesau garantiu que essa solução temporária mantém a segurança dos alimentos servidos enquanto as irregularidades são resolvidas.

Recomendações específicas do Ministério Público

O documento oficial, publicado no diário eletrônico do órgão e assinado pelo promotor de Justiça e Defesa da Saúde Igor Naves Belchior da Costa, estabelece diretrizes claras:

  1. Suspensão imediata das atividades no atual setor de nutrição do HGR
  2. Transferência da produção das refeições para a sede da empresa terceirizada contratada pela Sesau
  3. Conclusão das obras e adequações sanitárias no novo espaço construído para o setor de Nutrição e Dietética dentro de 60 dias
  4. Apresentação de um relatório detalhado pela Sesau em 30 dias, com as primeiras providências e um cronograma para ações de longo prazo

O promotor Igor Naves ressaltou que, embora exista uma nova área construída para o setor, ela ainda não foi entregue, o que agrava a situação. A estrutura física atualmente em operação apresenta necessidade de reforma urgente e imediata, conforme destacado na recomendação baseada no laudo técnico.

Consequências em caso de descumprimento

O Ministério Público advertiu que, caso a recomendação não seja atendida dentro dos prazos estabelecidos, poderá entrar com uma ação judicial contra o estado de Roraima. Essa medida visa assegurar que a saúde pública não seja comprometida pela manutenção de condições insalubres na principal unidade hospitalar do estado.

A situação no HGR reflete desafios mais amplos na assistência à saúde em Roraima, que registrou quase 300 falhas no setor apenas em 2025, conforme reportagens anteriores. A interdição da cozinha representa um passo crítico para corrigir deficiências que colocam em risco a segurança dos pacientes.