Família acusa hospital de negligência após morte de idosa de 84 anos no Acre
Morte de idosa no Acre: família acusa hospital de negligência

Família acusa hospital de negligência após morte de idosa de 84 anos no Acre

A morte da professora aposentada Nadir Nazaré Gomes de Souza, de 84 anos, na manhã da última quinta-feira (22), em Rio Branco, no Acre, está sendo alvo de graves acusações de negligência médica por parte da família. Os parentes da idosa responsabilizam a Unimed Rio Branco por um suposto excesso na dosagem de medicação aplicada durante um tratamento para reposição de sódio, o que teria levado a complicações cardíacas fatais.

Detalhes do caso e acusações da família

Nadir foi internada no dia 11 de janeiro para tratar um problema de artrose. Durante os exames, foi detectada uma deficiência de sódio, com concentração de 115mEq/L, abaixo da média indicada de 136mEq/L. Uma avaliação médica recomendou a reposição de sódio usando soluções salinas intravenosas, que deveriam ser administradas de forma lenta e controlada.

Contudo, segundo o filho da idosa, Sérgio Roberto Gomes de Souza, professor universitário, a segunda parte da infusão, que deveria durar oito horas, foi aplicada em apenas uma hora e meia devido a falhas na bomba de infusão e falta de monitoramento adequado. "Todos os laudos médicos apontam que minha mãe faleceu por excesso de sódio no organismo", afirmou ele.

Complicações e óbito

Com a administração acelerada do sódio, Nadir apresentou taquicardia, com batimentos cardíacos chegando a 178 por minuto, enquanto o normal para um adulto em repouso varia entre 60 e 100. Ela sofreu duas paradas cardíacas, foi transferida para a UTI, intubada e, após piora do quadro, foi levada para outras duas unidades de saúde, onde veio a falecer.

"Entrou para fazer uma infusão de sódio que não teve nenhum monitoramento e terminou dentro de um caixão", lamentou o filho, destacando a dor e a indignação da família com o ocorrido.

Posicionamento da Unimed e nota da Adufac

A Unimed Rio Branco se recusou a comentar o caso quando questionada pelo g1. Em contrapartida, a Associação dos Docentes da Ufac (Adufac) emitiu uma nota oficial classificando o procedimento como "mal conduzido" e exigindo respostas imediatas da empresa.

O texto da Adufac reforça que a administração da solução salina em tempo reduzido, devido a falhas técnicas e ausência de monitoramento, desencadeou consequências devastadoras, incluindo taquicardia, paradas cardíacas e lesão neurológica irreversível. A associação pede atuação rigorosa de órgãos como o Ministério Público, Polícia Civil e conselhos regionais de medicina e enfermagem para apurar responsabilidades.

Contexto e repercussões

Nadir foi sepultada na manhã de sexta-feira (23) no Cemitério Morada da Paz, em Rio Branco. O caso levanta questões críticas sobre a segurança e a responsabilidade nos serviços de saúde, especialmente no atendimento a idosos. A família e instituições como a Adufat buscam justiça e transparência, enfatizando a necessidade de investigações detalhadas para evitar que tragédias similares se repitam.

Este incidente ocorre em um contexto onde outras denúncias de negligência médica no Acre têm ganhado destaque, reforçando a importância do monitoramento e da fiscalização em procedimentos hospitalares.