Gestante e recém-nascido morrem após complicações em parto em Indaiatuba
A cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, foi paleta de uma tragédia que comoveu a comunidade local. Bianca Fidêncio da Silva, uma jovem de 28 anos, faleceu após enfrentar sérias complicações durante o parto de seu segundo filho. Para agravar a dor da família, o recém-nascido, batizado como Ravi, também não resistiu e veio a óbito dias depois, enquanto estava internado em estado gravíssimo.
Família acusa hospital e caso vira investigação policial
Segundo relatos dos familiares, o médico responsável teria negado o pedido de cesárea feito pela gestante. As complicações durante o parto normal teriam levado ao desfecho fatal. O marido de Bianca procurou a Polícia Civil de Indaiatuba, que registrou a ocorrência como morte suspeita, dando início a uma investigação formal sobre as circunstâncias do caso.
O velório de Bianca foi realizado nesta sexta-feira (23) no Cemitério Municipal Parque dos Indaiás. Até o momento, não há informações divulgadas sobre o sepultamento do bebê Ravi, o que aumenta o clima de luto e indignação entre amigos e conhecidos.
Hospital defende conduta e abre sindicância interna
Em nota oficial, o Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc) confirmou que houve o pedido da gestante por cesariana, mas afirmou que o quadro clínico indicava progresso adequado para o parto vaginal, tornando-o uma conduta viável e recomendada. A instituição destacou que durante o procedimento foi identificado sofrimento fetal agudo, levando à aplicação de fórceps, um método de emergência obstétrica.
Após o parto, o recém-nascido apresentou sinais de insuficiência de oxigênio, enquanto a paciente evoluiu com sangramento vaginal intenso devido a uma atonia uterina, condição em que o útero não se contrai adequadamente. O Haoc ressaltou que essa complicação é imprevisível e pode ocorrer em qualquer tipo de parto.
A direção do hospital informou que instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos. Os resultados serão encaminhados à Comissão de Ética Médica do hospital e, posteriormente, ao Conselho Regional de Medicina.
Secretaria de Saúde acompanha o caso de perto
A Secretaria de Saúde de Indaiatuba também se manifestou, afirmando que encaminhou um ofício ao hospital solicitando a abertura imediata da sindicância. Além disso, o caso será analisado pelos comitês de Óbito Materno e Hospitalar, que avaliarão possíveis falhas ou melhorias nos protocolos de atendimento.
Em comunicado, a pasta municipal expressou solidariedade à família e garantiu que acompanhará todas as etapas da apuração. O Haoc, que realiza em média 180 partos por mês, destacou que não havia registrado nenhum óbito materno em 2025 até este triste episódio.
Esta tragédia levanta questões importantes sobre a assistência obstétrica no Brasil, especialmente em relação à escuta das gestantes e à aplicação de protocolos de emergência. A comunidade aguarda ansiosamente os resultados das investigações para que justiça seja feita e medidas preventivas sejam implementadas.