Crise na Unimed Ferj deixa pacientes sem atendimento e medicamentos essenciais
A situação crítica na Unimed Ferj tem gerado graves consequências para beneficiários no Rio de Janeiro, deixando muitos sem acesso a atendimento médico, remédios e assistência adequada. Entre os casos mais preocupantes está o de Luisa Falero, uma menina de apenas 12 anos que enfrenta uma condição de saúde grave e está desde outubro de 2025 sem receber o medicamento que controla suas convulsões.
O drama de Luisa: uma luta diária pela sobrevivência
Luisa possui uma mutação rara no gene CDKL5, que faz com que seu organismo não produza uma proteína fundamental para o funcionamento neurológico. Essa condição provoca sérias dificuldades motoras e cognitivas, além de causar uma epilepsia intensa que coloca sua vida em risco constante. "O maior risco de morte com a mutação dela é justamente nas convulsões, então a gente tem muito medo", relata Natália Falero, mãe da menina, em entrevista ao g1.
A trajetória de Luisa com a saúde começou cedo: suas crises epilépticas surgiram quando tinha apenas sete meses de idade. Desde então, a menina passou por internações frequentes e enfrentou várias pneumonias. A família dedicou-se intensamente à busca por diagnóstico e tratamento adequados, conseguindo identificar a mutação genética quando Luisa completou dois anos, com auxílio de um geneticista em São Paulo.
Tratamento conquistado na Justiça e interrompido pela burocracia
Todo o acompanhamento médico de Luisa foi realizado através do plano de saúde da Unimed, do qual ela é beneficiária desde o nascimento. No entanto, segundo Natália, todos os avanços no tratamento foram conquistados judicialmente. "Tudo que eu consegui - terapias, home care, medicamentos - tudo que eu consegui para ela foi através de liminar. Tudo me foi negado", afirma a mãe com evidente frustração.
Em 2015, a vida de Luisa começou a mudar significativamente com o início do tratamento domiciliar e a introdução de um medicamento à base de cannabis, acesso também obtido por decisão judicial. Antes de encontrar o remédio importado da marca Charlotte's Web, a menina precisava tomar seis anticonvulsivos diariamente. Com a combinação do canabidiol e outros três medicamentos, Luisa nunca mais precisou ser internada.
"De 60 crises diárias, ela passou a ter 2 a 3 convulsões no máximo", comemora Natalia. "Ela chegou a passar oito meses sem ter crises." A mãe se emociona ao descrever a melhora da filha: "É inexplicável né? Porque eu nunca desisti. Eu sempre tive esperança de que as coisas iam melhorar."
Qualidade de vida conquistada e ameaçada
Com o tratamento adequado, Natalia pôde proporcionar à filha uma qualidade de vida que antes parecia inatingível. Atividades simples, como curtir um dia na praia, tornaram-se realidade após anos de limitações. O medicamento era entregue regularmente pela HomeBaby, serviço terceirizado de cuidados domiciliares contratado pela Unimed, sem problemas até meados do ano passado.
Foi então que a prestadora de serviços comunicou que deixaria de fazer as entregas do remédio, que passaria a ser retirado diretamente com o plano de saúde. Desde outubro, Natalia enfrenta uma série de obstáculos burocráticos e não recebeu sequer uma caixa do medicamento essencial para a saúde da filha.
"Ficou aquela coisa de empurra", desabafa a mãe. Para ela, cada dia que passa sem o remédio representa mais angústia e risco. "O tempo da minha filha não é o tempo de vocês", diz Natalia, referindo-se à lentidão dos processos administrativos do plano de saúde.
As respostas das empresas envolvidas
A ProntoBaby, responsável pela HomeBaby, esclareceu em nota que atua apenas como prestadora de cuidados e que a responsabilidade pelo fornecimento das medicações é da Unimed, operadora do plano de saúde. A empresa destacou que eventual demanda judicial relacionada ao custeio de medicamentos ocorre entre paciente e Unimed, não envolvendo a HomeBaby como parte responsável pelo fornecimento.
Já a Unimed do Brasil, que assumiu a gestão assistencial da Unimed Ferj, limitou-se a informar que tomou ciência do caso e está em contato com a família da beneficiária para apuração e encaminhamento da situação. A resposta genérica não trouxe alívio para a família Falero, que continua aguardando uma solução concreta para o problema que coloca em risco a vida de Luisa diariamente.
Esta situação evidencia as dificuldades enfrentadas por famílias que dependem de planos de saúde para tratamentos de condições complexas, especialmente quando há mudanças na gestão ou problemas operacionais nas operadoras. O caso de Luisa Falero representa apenas um entre muitos que têm sofrido com a crise na Unimed Ferj, levantando questões urgentes sobre a responsabilidade das operadoras de saúde e a proteção aos direitos dos pacientes.