Mãe e bebê morrem após parto em hospital de Indaiatuba; caso é investigado
Mãe e bebê morrem após parto em Indaiatuba; caso investigado

Tragédia em Indaiatuba: mãe e bebê morrem após complicações no parto

A cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, foi palco de uma trágica sequência de eventos que resultou na morte de uma jovem mãe e de seu filho recém-nascido. Bianca Fidêncio da Silva, de apenas 28 anos, faleceu após enfrentar sérias complicações durante o parto no Hospital Augusto de Oliveira Camargo, conhecido como HAOC. Dias depois, seu bebê, batizado como Ravi, também não resistiu, falecendo enquanto estava internado na UTI Neonatal da mesma unidade hospitalar.

Detalhes do caso e investigações em andamento

De acordo com informações divulgadas pelo próprio hospital na última sexta-feira, 30 de agosto, o recém-nascido de Bianca evoluiu a óbito apesar de todos os esforços da equipe médica e da terapia intensiva neonatal. Familiares da vítima relataram que a gestante teria solicitado uma cesárea, mas o médico responsável negou o pedido. As complicações durante o parto normal teriam levado ao falecimento da jovem.

Diante da gravidade da situação, o HAOC decidiu instaurar uma sindicância interna para apurar todos os detalhes do caso. Em nota oficial, a instituição afirmou que a sindicância será devidamente encaminhada ao Conselho Regional de Medicina, órgão competente para avaliar eventuais atos médicos. Paralelamente, o marido de Bianca procurou a Polícia Civil de Indaiatuba, que registrou a ocorrência como morte suspeita, abrindo assim uma investigação criminal.

Posicionamento do hospital e explicações técnicas

O Hospital Augusto de Oliveira Camargo emitiu uma nota detalhada explicando sua versão dos fatos. Segundo o texto, o quadro clínico de Bianca indicava progresso adequado, tornando o parto vaginal uma conduta viável e recomendada naquela situação. A cesariana seria considerada apenas se surgissem intercorrências durante o processo.

Durante o parto, no entanto, houve identificação de sofrimento fetal agudo. Para abreviar o nascimento, a equipe médica realizou a aplicação de fórceps, procedimento previsto e indicado em situações específicas de emergência obstétrica. Logo após o parto, o recém-nascido apresentou sinais de insuficiência de oxigênio, enquanto a paciente evoluiu com sangramento vaginal intenso associado à atonia uterina.

A atonia uterina, conforme explicado pelo hospital, é uma condição em que o útero não consegue se contrair adequadamente após o nascimento, configurando uma das principais causas de hemorragia pós-parto. O HAOC ressaltou que esta complicação obstétrica é conhecida e pode ser imprevisível, podendo ocorrer tanto em partos vaginais quanto cesarianos, mesmo na ausência de fatores de risco aparentes.

Contexto estatístico e procedimentos hospitalares

O hospital informou que realiza, em média, 180 partos mensais em suas instalações, sem nenhuma notificação de óbito materno registrada até o momento em 2025. No caso específico de Bianca, a admissão ocorreu às 10 horas, com o parto efetivo acontecendo às 13h45, caracterizando um período expulsivo relativamente curto com dilatação total.

A Diretoria do HAOC reafirmou o compromisso com a transparência e a apuração rigorosa dos fatos, garantindo que os resultados da sindicância interna serão encaminhados à Comissão de Ética Médica do Hospital e, posteriormente, ao Conselho Regional de Medicina. A tragédia envolvendo Bianca Fidêncio da Silva e seu filho Ravi levanta importantes questões sobre protocolos obstétricos e cuidados médicos durante o parto, enquanto a comunidade de Indaiatuba lamenta a perda precoce de duas vidas.