Médica do Samu é afastada após declarar morte de mulher que estava viva em Bauru
Médica afastada por declarar morte de mulher viva em Bauru

Médica do Samu é afastada após declarar morte de mulher que estava viva em Bauru

Uma médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Bauru, no interior de São Paulo, foi afastada de suas funções após declarar a morte de uma mulher de 29 anos que, na verdade, ainda estava viva. O caso, que ocorreu na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), está sendo investigado pela prefeitura local, que instaurou um processo técnico para apurar as circunstâncias do atendimento.

Erro no atendimento e reanimação tardia

A vítima, identificada como Fernanda Cristina Policarpo, sofreu um atropelamento e foi atendida pela equipe do Samu. A médica, cuja identidade não foi divulgada, atestou o falecimento da paciente, que foi então coberta com um material alumínio típico para essas situações. O Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para a remoção do corpo.

No entanto, cerca de 30 minutos após a declaração de morte, um médico socorrista da concessionária que administra a rodovia percebeu que a mulher ainda respirava. Ele realizou manobras médicas de emergência, conseguindo reanimá-la. A vítima foi encaminhada ao Hospital de Base de Bauru, onde permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Investigação e medidas administrativas

Em nota oficial, a prefeitura de Bauru informou que a médica foi afastada como medida administrativa preventiva, e a decisão será mantida até o fim da apuração. O objetivo da investigação é entender detalhadamente o que ocorreu durante o atendimento do Samu, incluindo possíveis falhas no protocolo ou na avaliação clínica.

O caso levantou questões sobre a qualidade dos serviços de emergência e a necessidade de revisão de procedimentos para evitar erros semelhantes no futuro. Autoridades locais destacaram a importância de garantir a segurança e a eficácia no atendimento a vítimas de acidentes.

Relato familiar e estado de saúde da vítima

A mãe da vítima, Adriana Roque, expressou indignação com a situação. Ela relatou que, ao chegar ao local do acidente, não foi autorizada a se aproximar da filha, que já estava coberta com o material alumínio. "No momento em que vi a minha filha estirada no asfalto, já coberta com aquele papel alumínio, eles falaram para mim que eu não podia chegar perto e que infelizmente minha filha já estava morta. Eu queria ver, mas eles não deixavam", disse Adriana.

Ela também criticou a demora na reanimação: "Eu acho que deviam ter feito medidas antes, eles tinham a possibilidade de evitar que ficasse tão grave". Atualmente, Fernanda apresenta politrauma grave e múltiplos ferimentos, sem previsão de melhora ou alta. A equipe médica do hospital está realizando procedimentos para reduzir a sedação e avaliar a possibilidade de extubação, mas seu estado permanece crítico.

Implicações para a saúde pública

Este incidente destaca desafios significativos no sistema de atendimento de urgência no Brasil, especialmente em regiões interioranas. Especialistas em saúde pública apontam que casos como este podem abalar a confiança da população nos serviços de emergência e exigem transparência nas investigações.

A prefeitura de Bauru reforçou seu compromisso com a apuração rigorosa do caso, visando não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também implementar melhorias nos protocolos do Samu. A expectativa é que as lições aprendidas possam contribuir para um atendimento mais seguro e eficiente em situações de risco de vida.