Uma pesquisa inédita do Ministério da Saúde revelou um dado alarmante sobre a qualidade do sono dos brasileiros: três em cada dez pessoas no país apresentam sintomas de insônia. O estudo, que ouviu habitantes de todas as capitais e do Distrito Federal, aponta para um cenário preocupante de distúrbios do sono que afetam a população adulta.
O que caracteriza a insônia e seus sintomas
O levantamento questionou os participantes sobre suas experiências nas últimas quatro semanas, incluindo dificuldade para pegar no sono, despertares noturnos com problemas para voltar a dormir, e despertar precoce sem conseguir retomar o sono. A conclusão foi que 30% dos entrevistados relataram pelo menos um desses sintomas.
"Para classificar insônia, o indivíduo precisa ter dificuldade para iniciar o sono, acordar durante a noite e/ou despertar antes do desejado. Para configurar um transtorno crônico, isso deve ocorrer pelo menos três vezes por semana durante três meses consecutivos", explica Andrea Bacelar, vice-presidente da Academia Brasileira do Sono do Rio de Janeiro.
Impactos na saúde e dados demográficos
Os dados, coletados em 2024 como parte do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas, mostram que entre os adultos com sintomas de insônia, a proporção é maior entre mulheres. Além disso, o estudo revela que 20% dos adultos brasileiros dormem menos de seis horas por dia, um padrão considerado insuficiente para a restauração adequada do organismo.
"Menos de seis horas de sono não permite restaurar a maioria dos sistemas corporais. Isso aumenta significativamente o risco de desenvolver diversas doenças", alerta Andrea Bacelar. A costureira Maria Aquino exemplifica essa realidade: "Eu durmo uma ou duas horas, mas acordo às quatro da manhã".
Consequências mais amplas para a saúde pública
A pesquisa também traz outros indicadores preocupantes sobre a saúde dos brasileiros:
- Seis em cada dez adultos estão com excesso de peso, percentual que vem aumentando nos últimos anos
- Os índices de obesidade registraram crescimento
- Diagnósticos médicos de diabetes e hipertensão em adultos também apresentaram aumento
Contudo, há uma notícia positiva: os brasileiros estão praticando mais atividades físicas no tempo livre, fora do ambiente de trabalho ou estudo.
Caminhos para um sono mais saudável
Especialistas recomendam estratégias para melhorar a qualidade do sono:
- Manter horários regulares para dormir e acordar
- Evitar o consumo excessivo de cafeína
- Praticar exercícios físicos regularmente
- Adotar técnicas de relaxamento antes de dormir
Andrea Bacelar compartilha uma dica tradicional: "Quando as preocupações surgem ao deitar, pegue um papel e anote-as. Ao registrar esses pensamentos, já é possível desacelerar as ondas cerebrais e facilitar o adormecimento".
Relatos pessoais e perspectivas
O vendedor Alberto Gomes descreve sua experiência: "Hoje em dia, é muito raro eu ter uma boa noite de sono. Boleto para pagar, lista de material escolar para comprar, problemas no trabalho para resolver". Já a pedagoga Bruna Schatetock relata: "Quando eu deito na cama, parece que o sono desaparece".
A expositora Cristiane Marta Pinto de Souza encontrou sua própria solução: "Eu gosto de bordar, e bordando a gente se acalma. Todo mundo tem preocupações com contas, mas não podemos só pensar nisso, temos que viver a vida". Ela mantém uma rotina de sono estabelecida como parte de seus cuidados com a saúde.
O estudo destaca a importância de abordar os distúrbios do sono como uma questão de saúde pública, especialmente considerando sua relação com o aumento de condições crônicas como obesidade, diabetes e hipertensão na população brasileira.