Operação aérea do Incor busca coração de bebê doador em Jaú para salvar vida de criança
Uma equipe médica do Instituto do Coração (Incor) partiu de São Roque, na manhã desta quarta-feira (4), em uma missão crítica para captar o coração de um bebê doador de 3 meses em Jaú, no interior de São Paulo. O órgão é destinado a uma criança de 1 ano que aguarda um transplante urgente no Incor, em São Paulo, após ser diagnosticada com uma condição cardíaca grave.
Atraso climático e logística complexa na corrida contra o tempo
A operação, inicialmente programada para decolar às 5h45 do aeroporto de São Roque, enfrentou um atraso de algumas horas devido às condições climáticas adversas. A chuva em Jaú dificultou o pouso da aeronave particular, que só conseguiu partir por volta das 9h30. Conforme apurado pela TV TEM, o avião pousou em uma fazenda em Jaú, cedida pelo proprietário, que também disponibilizou a aeronave para agilizar o transporte.
Essa solução logística foi crucial, já que o deslocamento terrestre entre São Roque e Jaú levaria aproximadamente quatro horas, um tempo inviável para a preservação do órgão. A ação contou com o apoio do Programa TransplantAR, uma iniciativa que mobiliza empresários dispostos a ceder equipamentos e espaços para viabilizar corridas pela vida em situações de emergência médica.
Desafios técnicos e a esperança de um transplante
Por causa da falta de equipamentos e demarcações no solo, a aterrissagem na fazenda em Jaú precisou ser feita de forma manual, uma operação que é significativamente prejudicada pela chuva. Isso levou à suspensão temporária da operação até a decolagem, horas depois do previsto. A previsão era de que o processo de captação do órgão na Santa Casa de Jaú terminasse por volta das 14h30, permitindo que a equipe seguisse para São Paulo para realizar o transplante.
A criança receptora, de 1 ano, foi diagnosticada com Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo, uma cardiopatia congênita grave e rara caracterizada pelo subdesenvolvimento do lado esquerdo do coração. Desde o nascimento, o paciente já foi submetido a cirurgias paliativas e, há cerca de um ano, depende de um coração artificial para sobreviver, destacando a urgência do procedimento.
Mobilização noturna e apoio comunitário
Para salvar a vida da criança, toda uma mobilização foi iniciada ainda na noite de terça-feira (3), com a equipe médica pronta desde as primeiras horas da manhã. Essa corrida contra o tempo envolveu não apenas profissionais de saúde, mas também a comunidade local, exemplificando a importância da doação de órgãos e da solidariedade em momentos críticos.
A operação reforça os desafios logísticos enfrentados em transplantes no Brasil, especialmente em regiões distantes dos grandes centros urbanos. A colaboração entre instituições públicas, iniciativas privadas e cidadãos demonstra como esforços conjuntos podem superar obstáculos para oferecer uma segunda chance de vida a pacientes em situação de extrema vulnerabilidade.