Um trágico episódio de violência resultou na morte de dois irmãos após uma discussão iniciada por cerveja derramada dentro de um carro de aplicativo. O caso ocorreu na madrugada de domingo, 1º de dezembro, em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, e chocou a comunidade local.
O desentendimento fatal
Segundo o delegado Ricardo Moraes, responsável pelas investigações, o motorista de aplicativo transportava três passageiros: dois irmãos e uma amiga deles, entre os bairros Padre Ulrico e Cantelmo. Após a chegada ao destino, os passageiros desembarcaram, mas esqueceram uma bolsa no veículo.
O motorista, ao perceber o objeto esquecido, retornou para devolvê-lo. Foi nesse momento que ele também reclamou sobre cerveja que havia sido derramada no carro durante o trajeto, alegando que a sujeira o faria perder a noite de trabalho.
A escalada da violência
De acordo com o depoimento do motorista à polícia, os passageiros reagiram agressivamente ao comentário. A situação rapidamente saiu do controle quando um dos irmãos, identificado como Jeferson Lima dos Santos, de 30 anos, tentou sacar um revólver durante a discussão.
O motorista, que também estava armado, afirma ter atirado em legítima defesa nesse momento. O segundo irmão, Adriano Lima dos Santos, de 20 anos, teria atacado o condutor com uma faca e também foi baleado durante o confronto.
As consequências do confronto
Um dos irmãos morreu no local do crime. O outro foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. A terceira passageira, que acompanhava os irmãos, não se feriu durante o incidente.
Os dois irmãos foram sepultados na segunda-feira, 2 de dezembro, no cemitério municipal de Francisco Beltrão, deixando familiares e amigos em luto.
As armas envolvidas
O delegado Ricardo Moraes esclareceu que a arma usada pelo motorista é registrada, mas ele não possuía autorização para porte. Já o revólver encontrado com um dos passageiros não era registrado, e ele também não tinha autorização para porte de arma.
No local do crime, a Polícia Militar apreendeu uma pistola calibre 9 milímetros, um revólver calibre .22 e uma faca, além de celulares que foram recolhidos para perícia.
O desfecho legal
O motorista de aplicativo foi preso em flagrante, mas foi liberado após audiência de custódia. Ele alegou ter agido em legítima defesa por ter sido atacado durante a discussão. O nome do condutor não foi divulgado pelas autoridades.
"O motorista do aplicativo permaneceu no local, inclusive constata-se que teria sido ele quem teria acionado o Samu para eventual auxílio médico. Era uma pessoa ré primária. Todos esses contextos foram analisados na delegacia", explicou o delegado Ricardo Moraes.
O depoimento da testemunha
A terceira passageira que estava no veículo prestou depoimento à polícia e afirmou que não participou da briga. Segundo ela, estava dentro de casa quando ouviu os disparos e, ao chegar ao local, já encontrou o motorista e os passageiros em confronto.
"Ela disse que não chegou a sair quando eles retornaram. Quando ela ouviu o barulho, ela teria ficado numa parte que é área da residência. Quando ela chegou, verificou que eles já estavam em vias de fato", detalhou o delegado sobre o testemunho da mulher.
Investigações em andamento
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Paraná, que analisa todas as circunstâncias do ocorrido. As autoridades buscam determinar com precisão a sequência dos fatos e as responsabilidades de cada envolvido no trágico episódio.
O motorista foi autuado pelos crimes de homicídio e porte irregular de arma de fogo de uso restrito, mas sua liberação após audiência de custódia indica que a justiça considerou inicialmente os argumentos de legítima defesa apresentados por sua defesa.