Fátima do Sul enfrenta surto de chikungunya com 99 casos ativos e internações
A cidade de Fátima do Sul, localizada a 242 quilômetros de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, registra um preocupante surto de chikungunya, com 99 casos ativos da doença. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, através do Boletim Epidemiológico, que aponta um total de 101 casos prováveis no município.
Pacientes internados e transferências
Dois pacientes adultos estão atualmente internados no Hospital da Sociedade Integrada de Assistência Social (Sias), em Fátima do Sul. Outros dois casos precisaram ser transferidos para outras cidades: um para Dourados e outro para Ponta Porã. Todos os pacientes apresentam comorbidades, o que aumenta o risco de complicações.
Uma situação mais grave envolveu uma idosa, que precisou ser encaminhada para um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após o agravamento do seu quadro clínico. Este caso destaca a severidade da doença, especialmente em grupos vulneráveis.
Fatores que contribuíram para o surto
Segundo o coordenador epidemiológico do município, Josimar Figueiredo, Fátima do Sul serve como uma rota de passagem para Campo Grande, com circulação significativa de pessoas provenientes de diversas cidades da região. Ele relembra que, no ano passado, houve surtos de chikungunya em municípios próximos, como Vicentina, Jateí e Glória de Dourados.
"A Defesa Civil esteve atuando no controle das ações nesses municípios. Fátima do Sul, por ficar nessa proximidade, no meio do caminho, é um dos fatores que veio fazer com que agora esse surto atingisse nosso município. Na verdade, a gente já esperava isso", afirmou Figueiredo.
Ações de combate ao mosquito Aedes aegypti
A secretária municipal de Saúde, Regiane Freire Brabo, informou que a prefeitura tem intensificado as ações para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya. Entre as medidas adotadas estão:
- Aplicação de inseticida costais e fumacê.
- Ações conjuntas com agentes de endemias e comunitários para eliminação de focos em todo o município.
- Trabalho de orientação e conscientização da população, concluído nesta quinta-feira (29).
No entanto, a secretária destacou que ainda há desafios, como o acúmulo de lixo e água parada em quintais. "O aumento de casos foi devido à não conscientização de parte da população quanto à gravidade da doença e ao período de chuva e calor intenso, o que foi propício para a propagação do vetor", explicou.
Expectativas e coordenação com o estado
A expectativa é que as ações realizadas tenham reflexo positivo nas próximas semanas, reduzindo a incidência de novos casos. O coordenador epidemiológico reforçou que as medidas seguem em andamento e que há uma constante coordenação com o estado.
"Se há esse número de casos é porque está sendo lançado e o fluxo está funcionando. A gente está em constante reunião com o estado, estamos atendendo as orientações conforme eles nos passam", afirmou Figueiredo.
Cenário estadual de chikungunya
Em nível estadual, Mato Grosso do Sul registra 666 casos prováveis de chikungunya e 125 confirmados por exames laboratoriais. Até o momento, não há registro de óbitos nem de casos confirmados em gestantes, o que é um ponto positivo diante da situação.
Após Fátima do Sul, outros municípios também apresentam números significativos:
- Sete Quedas: 16 casos prováveis e 11 confirmados.
- Dourados: 4 casos prováveis e 4 confirmados.
Este cenário reforça a necessidade de vigilância contínua e ações integradas entre municípios para controlar a disseminação da chikungunya em Mato Grosso do Sul.