Crise convulsiva: como agir corretamente seguindo o protocolo C.A.L.M.A.
A crise convulsiva que levou o ator Henri Castelli a deixar o Big Brother Brasil 26 reacendeu um alerta fundamental na sociedade brasileira: como proceder adequadamente quando alguém enfrenta uma convulsão? O episódio do ator, que teve duas crises em menos de vinte e quatro horas e precisou ser retirado do reality show, evidenciou que mesmo em situações públicas, com diversas pessoas ao redor, ainda persistem dúvidas e mitos sobre a conduta ideal nesses momentos críticos.
O caso de Henri Castelli e a importância do conhecimento
Henri Castelli sofreu sua primeira crise convulsiva durante uma prova de resistência no programa, após horas de privação de sono e intenso estresse físico. Ele recebeu atendimento imediato, realizou exames médicos e retornou à competição. Contudo, minutos depois, experimentou outra convulsão, mais intensa, o que resultou em sua saída definitiva do BBB 26.
O neurologista Bruno Castelo Branco, que avaliou o ator, explicou que aproximadamente 10% da população mundial terá uma convulsão ao longo da vida, mesmo sem diagnóstico de epilepsia. No caso específico de Henri, os exames descartaram a doença. "Ele teve uma crise convulsiva por estresse muito forte, privação de sono e esforço físico", afirmou o especialista.
Protocolo C.A.L.M.A.: um guia essencial para emergências
Durante uma reportagem exibida no Fantástico, especialistas detalharam passo a passo as ações corretas a serem tomadas. A Associação Brasileira de Epilepsia desenvolveu o protocolo C.A.L.M.A., criado justamente para orientar qualquer pessoa, leiga ou não, em situações de emergência envolvendo convulsões.
O acrônimo C.A.L.M.A. representa uma sequência simples e eficaz de medidas:
- C – Calma: A primeira atitude deve ser manter a calma. A convulsão geralmente dura pouco tempo e tende a cessar espontaneamente.
- A – Afastar objetos: É crucial retirar de perto qualquer objeto que possa machucar a pessoa, como móveis, utensílios ou superfícies afiadas.
- L – Lateralizar: Coloque a pessoa de lado, na posição lateral de segurança. "Isso evita que ela engasgue caso vomite e impede que secreções sejam aspiradas para o pulmão", explica a neurologista Letícia Sampaio. É importante ressaltar: não tente segurar a língua da pessoa, pois isso é um mito perigoso.
- M – Marcar o tempo: Observe a duração da crise. "A maioria dura entre 30 segundos e 2 minutos. Se passar de 5 minutos, é necessário chamar o SAMU (192) imediatamente", destaca a especialista.
- A – Acompanhar: Permaneça com a pessoa até que ela recupere a consciência. É comum que ela acorde confusa ou desorientada, como ocorreu com Henri Castelli, que não reconhecia o ambiente após a segunda crise.
Impacto social e necessidade de conscientização
O caso do ator Henri Castelli serviu como um importante lembrete sobre a prevalência das crises convulsivas e a urgência de disseminar informações precisas. Muitas pessoas ainda acreditam em práticas incorretas, como tentar imobilizar o indivíduo ou colocar objetos na boca, o que pode agravar a situação.
A neurologista Letícia Sampaio enfatiza que o conhecimento do protocolo C.A.L.M.A. pode salvar vidas e reduzir complicações. "É fundamental que a população compreenda que uma crise convulsiva, embora assustadora, pode ser manejada com segurança seguindo essas orientações simples", afirma.
Além disso, especialistas ressaltam que fatores como estresse extremo, privação de sono e esforço físico intenso, como os vivenciados por Henri Castelli no reality show, podem desencadear convulsões mesmo em indivíduos sem histórico de epilepsia. Portanto, a atenção aos sinais de alerta e a preparação para agir corretamente são essenciais em qualquer contexto, seja doméstico, público ou profissional.