Criança de 2 anos morre após três idas à UPA em Aracruz; família acusa negligência
Criança morre após três idas à UPA em Aracruz; negligência?

Criança de 2 anos morre após três idas à UPA em Aracruz; família acusa negligência

Uma tragédia comoveu a cidade de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, com a morte de Thomas Oliveira Beling, uma criança de apenas dois anos de idade. O óbito ocorreu após o menino ser levado três vezes à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas do bairro Vila Rica, na última segunda-feira, dia 19 de agosto. Os pais do pequeno Thomas relataram uma série de falhas no atendimento, incluindo negligência da equipe médica, demora excessiva nos procedimentos e a ausência de equipamentos essenciais, como cilindros de oxigênio.

Relato da família aponta descaso desde o primeiro atendimento

Segundo Andreina Beling, mãe da criança e técnica de enfermagem, Thomas começou a apresentar sintomas preocupantes na noite de domingo, dia 18. Ele passou a madrugada inteira demonstrando irritação e queixas de dor. Na manhã seguinte, os pais decidiram levá-lo à UPA pela primeira vez. No entanto, de acordo com o relato familiar, as atendentes já agiram com total descaso desde o início, não priorizando a situação como uma urgência médica.

Durante o atendimento inicial, foram solicitados exames de sangue e urina. A coleta de sangue foi realizada na unidade, mas os pais receberam a orientação de coletar a urina em casa. A médica responsável, conforme a família, examinou Thomas de maneira superficial, sem uma avaliação mais aprofundada. Horas depois, com a piora do estado de saúde e episódios de vômito, a criança retornou à UPA pela segunda vez.

Diagnóstico de virose e agravamento do quadro clínico

Na segunda visita, um médico realizou uma análise física e prescreveu medicamentos para dor, vômito e febre, diagnosticando o caso como uma simples virose. Porém, à noite, por volta das 19h30, Thomas apresentou uma deterioração grave, chegando a não conseguir mais sustentar o próprio corpo. Com isso, os pais o levaram à UPA pela terceira vez, implorando por um atendimento urgente.

Infelizmente, o pedido foi negado, e os procedimentos burocráticos se arrastaram. Quando finalmente recebeu atenção médica, o menino já estava com dificuldade para respirar e interagir. Andreina Beling afirmou que suplicou para que colocassem o filho em oxigênio, mas a unidade não dispunha de cilindros disponíveis. Diante do quadro crítico, a equipe médica encaminhou Thomas para a Fundação Hospital Maternidade São Camilo, em Aracruz, sem tentar reanimá-lo previamente.

Óbito e respostas das autoridades

Ao chegar ao hospital, Thomas já estava em parada cardiorrespiratória. Em nota, o Hospital São Camilo informou que iniciou todos os procedimentos de atendimento e reanimação, seguindo rigorosamente os protocolos assistenciais. A instituição lamentou que, apesar dos esforços, a criança não resistiu e veio a óbito.

A Prefeitura de Aracruz, por sua vez, emitiu uma nota manifestando profundo pesar pela morte e solidariedade à família. A gestão municipal afirmou que a Secretaria de Saúde adotou medidas imediatas para apurar os fatos, incluindo a instauração de um Processo Administrativo e Disciplinar. A prefeitura aguarda o resultado da autópsia para definir a causa da morte e tomar encaminhamentos cabíveis, com base em critérios técnicos e legais.

Além disso, o caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa da Polícia Civil de Aracruz. Por envolver uma criança, o processo seguirá sob sigilo, conforme determinações legais. Esta situação levanta sérias questões sobre a qualidade do atendimento em unidades de saúde pública e a necessidade de melhorias urgentes para evitar futuras tragédias.