Canetas Emagrecedoras Ilegais: Caso Grave em BH Expõe Riscos à Saúde
Canetas Emagrecedoras Ilegais: Caso Grave em BH

Canetas Emagrecedoras Ilegais: Caso Grave em BH Expõe Riscos à Saúde

Uma mulher de 42 anos está internada em estado grave em Belo Horizonte desde dezembro, após desenvolver complicações sérias devido ao uso de uma caneta emagrecedora vendida de forma ilegal. O caso, que envolve a auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes, serve como um alerta contundente sobre os perigos de medicamentos não regulamentados.

Detalhes do Caso e Evolução do Quadro Clínico

Segundo informações fornecidas por familiares, Kellen utilizou o medicamento sem qualquer prescrição médica. O produto, identificado como Lipoless, foi trazido do Paraguai e é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde o ano passado. Durante a hospitalização, a paciente foi diagnosticada com Síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma doença autoimune rara em que o sistema imunológico ataca parte do sistema nervoso periférico.

De acordo com a filha de Kellen, Dhulia Antunes, a mãe começou a usar a caneta emagrecedora no final de novembro. Os primeiros sintomas surgiram em meados de dezembro, incluindo urina avermelhada, o que a levou a suspender imediatamente o uso do produto. Ela foi internada pela primeira vez no dia 17 de dezembro, apresentando dores abdominais intensas.

Após receber alta no dia 25 com suspeita de intoxicação medicamentosa, o quadro de saúde de Kellen piorou drasticamente. Dois dias depois, ela começou a sofrer com fraqueza muscular severa, a ponto de não conseguir mais se levantar ou caminhar sem assistência. Uma nova internação foi necessária em 28 de dezembro, quando a paciente também desenvolveu insuficiência respiratória e complicações neurológicas significativas.

Riscos Associados aos Medicamentos Ilegais

O medicamento utilizado por Kellen foi vendido como contendo tirzepatida, a mesma molécula presente no Mounjaro, um remédio indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns casos, para emagrecimento. No entanto, por não ser registrado na Anvisa, não há qualquer controle sobre sua composição, concentração ou condições adequadas de armazenamento e transporte.

Essa falta de regulamentação aumenta exponencialmente os riscos à saúde, pois os consumidores não têm garantia sobre a qualidade, segurança ou eficácia do produto. A família de Kellen não possui informações detalhadas sobre como ela adquiriu a caneta emagrecedora, seja por meio da internet ou por outros canais, nem sobre o valor pago.

A Síndrome de Guillain-Barré, diagnosticada em Kellen, pode causar sintomas como fraqueza muscular, formigamento, dormência e, em casos mais graves, paralisia total. A filha da paciente afirmou que a caneta emagrecedora atuou como um gatilho para o desenvolvimento da doença. Atualmente, Kellen apresenta melhora gradual e seu quadro de saúde é considerado estável pelos médicos.

Orientações e Canetas Autorizadas no Brasil

É fundamental que a população esteja ciente sobre quais produtos possuem registro sanitário e podem ser comercializados legalmente no país. A Anvisa mantém uma lista atualizada de canetas emagrecedoras autorizadas, que devem ser utilizadas exclusivamente sob prescrição e supervisão médica.

O uso indiscriminado de medicamentos para perda de peso, especialmente aqueles obtidos de forma ilegal, representa um perigo real e imediato para a saúde. Casos como o de Kellen reforçam a necessidade de conscientização sobre os riscos e a importância de seguir orientações profissionais antes de iniciar qualquer tratamento.