Atraso na entrega de medicamentos pelo Estado compromete tratamentos de saúde na região de Sorocaba
Um grave problema de desabastecimento farmacêutico vem afetando pacientes dependentes do Sistema Único de Saúde (SUS) na região de Sorocaba, no interior de São Paulo. Prefeituras municipais relatam atrasos frequentes na entrega de medicamentos de alto custo e de uso contínuo, responsabilidade do Governo do Estado, colocando em risco tratamentos essenciais para condições crônicas e graves.
Falta de remédios essenciais em municípios da região
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Piedade (SP), os atrasos no envio dos fármacos têm sido constantes e comprometem seriamente o cuidado com a saúde da população. A Fundação para o Remédio Popular 'Chopin Tavares de Lima' (FURP), órgão estadual encarregado da distribuição de dezenas de medicamentos populares, está com entregas atrasadas, conforme informado pela prefeitura.
Em Piedade, estão em falta medicamentos utilizados no controle do colesterol, no tratamento de artrite reumatoide, além de fármacos destinados a pacientes com doenças autoimunes e oncológicas. Já em Salto de Pirapora, a situação é ainda mais crítica, com escassez de remédios de alto custo para:
- Controle do colesterol e triglicerídeos
- Tratamentos oncológicos
- Medicações antiepilépticas
- Fármacos para doenças inflamatórias intestinais
- Remédios para transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia e transtorno bipolar
Resposta do governo estadual e justificativas
Em nota, o governo paulista, por meio da Coordenadoria de Assistência Farmacêutica (CAF), afirmou que concluiu o abastecimento integral da Farmácia de Medicamentos Especializados de Sorocaba. Dos 48 municípios que compõem o Departamento Regional de Saúde (DRS), 31 já retiraram os malotes de medicamentos de alto custo.
A CAF destacou que mantém contato com a Prefeitura de Piedade para atender demandas pontuais e complementar o abastecimento local. Sobre Salto de Pirapora, a coordenadoria informou que alguns medicamentos, como leuprorelina, mesalazina e calcipotriol, já foram entregues integralmente.
No entanto, itens como levetiracetam e olanzapina, cuja aquisição é de responsabilidade do Ministério da Saúde, ainda aguardam repasse do órgão federal, que está atrasado. Quanto à ciproterona e ao fenofibrato, ambos estão em processo de entrega pelo fornecedor.
A Coordenadoria reforçou que adotou todas as medidas necessárias para assegurar a continuidade do abastecimento de medicamentos no SUS, mas a realidade nos municípios mostra um cenário preocupante de interrupção nos tratamentos.
Impacto direto na saúde dos pacientes
Os atrasos na distribuição de medicamentos pelo Estado não são apenas uma questão burocrática, mas têm consequências diretas e severas na vida dos pacientes. A falta de remédios de uso contínuo pode levar a:
- Agravamento de condições de saúde preexistentes
- Interrupção de tratamentos oncológicos e para doenças crônicas
- Aumento do risco de complicações em pacientes com transtornos psiquiátricos
- Sobrecarga no sistema de saúde devido a possíveis internações evitáveis
Este cenário de desabastecimento farmacêutico na região de Sorocaba evidencia fragilidades na logística de distribuição de medicamentos essenciais, colocando em xeque o direito à saúde garantido pela Constituição Federal e pelo SUS.