Apreensão de remédios para emagrecer cresce e preocupa autoridades de saúde
Apreensão de remédios para emagrecer cresce e preocupa

As apreensões de medicamentos para emagrecer têm registrado um crescimento expressivo, levantando um alerta entre as autoridades de saúde no Brasil. Um caso recente envolvendo uma moradora de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, ilustra os perigos associados ao uso indiscriminado desses produtos.

Relato de uma vítima

Uma mulher de 41 anos, que preferiu não ser identificada, compartilhou sua experiência traumática após injetar uma caneta emagrecedora adquirida de forma ilegal. O episódio ocorreu em dezembro do ano passado, quando ela comprou o produto através das redes sociais, atraída por promessas de resultados rápidos e milagrosos.

Sintomas alarmantes

Após aplicar uma única dose de 5 ml no dia 3 de dezembro, a paciente começou a sentir uma série de sintomas preocupantes horas depois. Entre eles, destacaram-se náusea, fraqueza intensa, dor de cabeça, respiração ofegante, formigamento nas mãos e nos pés, além de taquicardia.

"Achei que iria morrer. Fiquei com muito medo", revelou a mulher, que foi encaminhada a um hospital para realizar exames, incluindo um eletrocardiograma, e receber medicação adequada. Embora não tenha necessitado de internação, ela enfatizou a importância de buscar orientação médica e não arriscar a saúde em busca de soluções imediatas.

Riscos do uso sem prescrição

O endocrinologista Flávio Pirozzi, vice-presidente da Associação Brasileira de Diabetes em São Paulo, alertou para os perigos de adquirir medicamentos sem procedência conhecida. Ele explicou que o princípio ativo comum nessas canetas, a tirzepatida, tem uso restrito no Brasil.

O medicamento original é aprovado apenas para o tratamento de diabetes tipo 2 e exige receita médica, enquanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu a importação e venda de versões irregulares, muitas delas produzidas no Paraguai.

Aumento nas apreensões

Os números reforçam a gravidade da situação. Em 2023, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 17.890 canetas e ampolas contrabandeadas no estado de São Paulo. Já nos primeiros quinze dias de 2024, quase mil unidades foram interceptadas nas rodovias da região noroeste paulista.

Esses dados evidenciam um mercado clandestino em expansão, que coloca em risco a saúde pública ao oferecer produtos sem garantia de qualidade ou segurança.

Orientações para a população

As autoridades de saúde recomendam que qualquer tratamento para emagrecimento seja realizado sob supervisão médica. O uso de medicamentos manipulados ou contrabandeados pode levar a reações adversas graves, como as vividas pela moradora de Rio Preto.

"Não podemos confiar nas pessoas, mesmo nas que conhecemos. Não sabemos a procedência, devemos sempre buscar orientação médica", concluiu a paciente, reforçando a mensagem de que a saúde deve ser prioridade em detrimento de resultados rápidos e potencialmente perigosos.