Anvisa proíbe canetas emagrecedoras ilegais após internação grave de paciente
Anvisa proíbe canetas emagrecedoras após caso grave

Anvisa proíbe canetas emagrecedoras ilegais após caso grave de internação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição e apreensão de canetas emagrecedoras que contêm substâncias não aprovadas no Brasil, como a retatrutida e a tirzepatida. A medida ocorre após um caso alarmante de uma paciente que usou um produto contrabandeado do Paraguai e está internada em estado grave, desenvolvendo a síndrome de Guillain-Barré, uma doença rara que causa fraqueza muscular.

Risco sanitário com produtos não regulamentados

As canetas emagrecedoras em questão são vendidas livremente na internet, muitas vezes sem embalagem adequada, como mostrado em vídeos nas redes sociais onde usuários demonstram a aplicação. A retatrutida, por exemplo, é uma substância que ainda está em fase de testes para o tratamento de diabetes e obesidade, agindo em três receptores hormonais simultaneamente, diferentemente das canetas atuais que atuam em um ou dois. No entanto, ela não possui aprovação para produção ou venda no Brasil ou em qualquer outro país do mundo.

Cynthia Valerio, endocrinologista e presidente da Abeso, alerta sobre os perigos: "Não se faz a mínima ideia do tipo de substância que está sendo injetada no organismo dessas pessoas. É uma crise sanitária, porque, se houver algum tipo de hospitalização ou morte causada pela substância, a gente não tem a mínima ideia do que existe ali dentro. É realmente muito grave."

Detalhes do caso que motivou a proibição

Em dezembro de 2025, Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos, passou mal após aplicar uma caneta emagrecedora adquirida ilegalmente do Paraguai, sem prescrição médica. Sua filha, Giulia Antunes, relatou que ela suspendeu o uso ao sentir os sintomas, mas já não conseguia levantar ou andar sozinha. A internação em estado grave destacou os riscos do uso de produtos não regulamentados.

A Anvisa enfatiza que essas substâncias são fabricadas por empresas desconhecidas, sem garantias sobre o conteúdo ou qualidade, tornando seu uso perigoso em qualquer circunstância. A proibição também se estende a duas marcas de tirzepatida, outra substância usada em canetas emagrecedoras.

Orientações para um tratamento seguro da obesidade

Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de buscar orientação médica adequada. Cynthia Valerio aconselha: "Procure seu médico, procure a pessoa que vai saber orientá-lo de forma segura e, principalmente, com toda responsabilidade, para fazer o tratamento da obesidade, que é coisa séria. Tratamento da obesidade, como qualquer doença crônica, ele tem que ser feito com todo cuidado e respeito."

Essa ação da Anvisa visa proteger a saúde pública, alertando a população sobre os riscos de produtos milagrosos não aprovados e incentivando práticas seguras no manejo da obesidade.