João Pessoa cria ambulatório para regularizar fornecimento de fórmulas especiais de leite infantil
Ambulatório em João Pessoa regulariza fórmulas especiais de leite

João Pessoa inaugura ambulatório para regularizar fornecimento de fórmulas especiais de leite infantil

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de João Pessoa deu um passo importante para resolver um problema que tem preocupado famílias na capital paraibana. Foi criado um ambulatório especializado para atender e organizar o fluxo de casos de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) em crianças. O serviço começou a funcionar nesta quarta-feira (4) no Hospital Municipal do Valentina, marcando uma resposta direta às denúncias de interrupção na distribuição de fórmulas especiais pela prefeitura.

Resposta às denúncias e compromissos assumidos

As denúncias sobre a falta de fórmulas especiais vieram à tona no dia 16 de janeiro, quando mães relataram a situação à TV Cabo Branco. Em reunião com o Ministério Público da Paraíba (MPPB) no dia 20 de janeiro, a prefeitura se comprometeu a regularizar o fornecimento para os casos já apresentados à Promotoria até o dia 23 de janeiro. Para as demais famílias cadastradas, o prazo estabelecido é de até 15 dias, com uma nova reunião agendada para 9 de fevereiro para acompanhar o cumprimento desses compromissos.

Atendimento multidisciplinar e qualificação do acesso

Além de garantir a distribuição das fórmulas, o ambulatório oferece um atendimento multidisciplinar que visa entender se parte da demanda decorre de diagnósticos imprecisos, excessivos ou sem a devida confirmação clínica. "Essa reorganização nos permite qualificar o acesso, garantindo que as crianças que realmente necessitam recebam o insumo de forma adequada, segura e no tempo certo, ao mesmo tempo em que fortalecemos a responsabilidade no uso dos recursos públicos", destacou um médico envolvido no projeto.

Inicialmente, o primeiro grupo a ser atendido pelo ambulatório é o de crianças que já completaram dois anos de idade. Paralelamente, o atendimento das crianças dentro da faixa etária prevista no protocolo do Ministério da Saúde (0 a 24 meses) continuará sendo analisado e organizado conforme as diretrizes vigentes.

Crescimento da demanda e desafios burocráticos

Familiares relataram que a ausência das fórmulas é recorrente e que, quando há distribuição, a quantidade entregue não supre a necessidade mensal das crianças. Muitas famílias não têm condições financeiras de arcar com o custo do produto, considerado fundamental ao tratamento e classificado como medicamento.

Representantes da SMS informaram que a distribuição das fórmulas segue protocolos do Ministério da Saúde. A pasta atribuiu o desabastecimento a entraves burocráticos no processo de licitação, relacionados ao fornecedor. A demanda por fórmulas especiais para APLV cresceu cerca de 50% ao ano entre 2023 e 2025, pressionando ainda mais o sistema.

Em 2025, o município informou ter investido aproximadamente R$ 8 milhões na compra das fórmulas. O limite de até 10 latas por criança, segundo a gestão municipal, está em conformidade com orientações do Ministério da Saúde, mas a implementação efetiva tem sido um desafio contínuo.