Afastamentos por transtornos mentais disparam 79% no Brasil em 2025
Afastamentos por transtornos mentais disparam 79% no Brasil

O cenário do mercado de trabalho brasileiro enfrenta um desafio crescente com o aumento expressivo de afastamentos por transtornos mentais. Dados recentes revelam que, entre janeiro e novembro de 2025, foram registradas 393.670 licenças médicas relacionadas a problemas psicológicos, como depressão, ansiedade e burnout. Esse número representa um aumento alarmante de 79% em comparação com o ano inteiro de 2023, quando houve 219.850 casos.

Brasil lidera diagnósticos de ansiedade no mundo

Segundo Geiza Nuñez, diretora adjunta de Comunicação da ANAMT (Associação Nacional de Medicina do Trabalho), o Brasil se tornou o campeão mundial em diagnósticos de ansiedade. Em entrevista ao Hora News, ela destacou que esse fenômeno não é isolado, mas reflete uma tendência global. "Esse é um fenômeno mundial e o Brasil hoje é campeão do diagnóstico de ansiedade no mundo", afirmou a especialista.

Fatores que contribuem para o aumento

Geiza Nuñez aponta uma combinação de elementos que têm impactado a saúde mental dos trabalhadores brasileiros. Entre os principais fatores estão:

  • Questões políticas e econômicas, como a inflação
  • Efeitos prolongados da pós-pandemia
  • Influência das redes sociais e tecnologia
  • Mudanças na interação social
  • Ambientes de trabalho competitivos e produtividade acelerada

Ela explica que os riscos psicossociais no trabalho podem gerar estresse crônico, contribuindo diretamente para o adoecimento mental. "O que a gente fala de risco psicossocial são todos aqueles riscos gerados no trabalho, que podem provocar estresse crônico nas pessoas. Do que o trabalho pode contribuir para o adoecimento", detalhou.

Sintomas e a importância da busca por ajuda

A diretora da ANAMT enfatiza a necessidade de os trabalhadores estarem atentos aos sinais iniciais de transtornos mentais. Alterações no padrão de sono, irritabilidade, choro fácil e mudanças no apetite são indicativos que não devem ser ignorados. "Quanto antes a pessoa identifica e percebe que seu padrão de sono mudou, que está irritada, choro fácil, que mudou o padrão de apetite, de sono, quanto antes ela procura ajuda, melhor", alertou.

Geiza ressalta que muitos indivíduos conseguem manter um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal mesmo com sintomas iniciais, mas isso pode levar a uma descompensação posterior, resultando em afastamentos. "Algumas vezes a pessoa já tem início de sintomas, mas ainda não procura ajuda, mas ainda consegue manter um equilíbrio do trabalho, vida, até ela descompensar e vem o afastamento", explicou.

Recomendações para trabalhadores e empresas

Diante desse cenário preocupante, a especialista aconselha que os profissionais busquem atendimento médico assim que os primeiros sintomas aparecerem. A produtividade acelerada, as empresas altamente competitivas e o mercado de trabalho acirrado pós-pandemia são apontados como motivos centrais para o aumento de problemas psicológicos no ambiente corporativo.

O levantamento realizado pela ANAMT serve como um alerta para a necessidade de políticas de saúde mental mais eficazes no Brasil, visando não apenas tratar, mas também prevenir o adoecimento psicológico no trabalho.