Como as redes sociais prejudicam a felicidade: insights de Tal Ben-Shahar de Harvard
Redes sociais atrapalham felicidade, diz professor de Harvard

Como as redes sociais atrapalham a felicidade: análise de Tal Ben-Shahar de Harvard

Em um mundo cada vez mais conectado digitalmente, as redes sociais emergem como um dos principais obstáculos para a felicidade humana. Essa é a visão de Tal Ben-Shahar, professor renomado da Universidade de Harvard, que popularizou a ciência da felicidade através de seu curso altamente disputado. Em entrevista exclusiva ao Brasil, ele compartilhou insights profundos sobre como a comparação social exacerbada pelas plataformas online mina nosso bem-estar.

O impacto negativo das redes sociais na satisfação pessoal

Ben-Shahar alerta que as redes sociais nos expõem a uma versão editada e irreal da vida alheia. Nas redes, todos parecem mais felizes, bem-sucedidos e viajados, criando um contraste que pode corroer nossa própria satisfação com a realidade. Esse fenômeno é particularmente prejudicial para as novas gerações, que passam menos tempo ao ar livre ou com amigos, substituindo interações reais por videogames e mídias sociais. O excesso tecnológico, segundo ele, é um grande problema para a felicidade contemporânea.

A importância das relações humanas e do coletivo

O professor enfatiza que somos animais sociais, não animais de mídia social. Fazer dos relacionamentos uma prioridade é crucial, pois o sucesso isolado não garante felicidade e pode até aumentar a infelicidade. Ele cita Francis Bacon: “A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas pela metade”. Além disso, Ben-Shahar destaca que a felicidade não depende apenas do indivíduo, mas também do ambiente social. Andar com pessoas felizes ou abertas emocionalmente influencia positivamente nosso próprio comportamento.

Permissão para ser humano: aceitar emoções dolorosas

Críticos da psicologia positiva argumentam que ela pode invalidar emoções como raiva, tristeza e inveja. Ben-Shahar concorda, afirmando que uma das maiores barreiras para a felicidade é a crença de que a vida ideal não inclui sentimentos dolorosos. Ele defende a “permissão para ser humano”, permitindo a infelicidade como base para uma vida autêntica. É inerente ao ser humano experimentar dor e momentos de infelicidade, e negar isso leva a uma existência desconectada.

O papel do estresse no crescimento psicológico

Contrariando discursos motivacionais que tratam o estresse como inimigo, Ben-Shahar o vê como fundamental para o desenvolvimento pessoal. Assim como levantar pesos na academia fortalece os músculos, o estresse na vida promove crescimento psicológico, desde que haja períodos de recuperação. Ele explica que a vida naturalmente fornece estresse, e encarar esses momentos como oportunidades é essencial para a resiliência e felicidade duradoura.

O mundo pós-pandêmico e o aumento da infelicidade

A pandemia elevou os níveis de depressão e ansiedade, acostumando as pessoas a passar menos tempo com outras. O trabalho remoto, embora conveniente, reduz interações humanas e aumenta o tempo diante de telas, fatores que diminuem significativamente os níveis de felicidade. Ben-Shahar ressalta que essa tendência precisa ser combatida com esforços conscientes para priorizar conexões reais e limitar o uso excessivo de tecnologia.