Marcelo do Rego: Da Depressão à Maratona, uma Jornada de Superação e Inspiração
Marcelo do Rego: Do Tarja Preta à Maratona de Berlim

Marcelo do Rego: Uma Jornada de Resiliência e Transformação Pessoal

Em meados de 2016, com o nascimento dos filhos gêmeos Joaquim e Samuel, uma chave virou na cabeça de Marcelo do Rego. Ele estava no piloto automático, colocando a culpa no mundo inteiro por tudo que havia acontecido em sua vida. Foram muitas experiências dolorosas que moldaram seus primeiros anos.

Os Desafios da Infância e Adolescência

Marcelo sofreu abuso na infância, acompanhou o divórcio dos pais e passou por um assalto traumático na adolescência que o deixou com medo de sair de casa por muito tempo. O luto pela perda da mãe, portadora de HIV, e posteriormente do pai, foi uma experiência pela qual teve que passar muito antes do que qualquer pessoa espera.

Essas vivências o levaram a um estado de depressão profunda, necessitando de medicamentos tarja preta. Ele carregava a depressão quase como uma herança familiar, usando posteriormente essa imagem para representar os momentos em que atingiu o fundo do poço.

A Virada: Paternidade e Terapia

Com a chegada dos filhos, Marcelo entendeu que algo precisava mudar radicalmente. Iniciou terapia, que lhe deu uma base de sobrevivência para encarar os desafios que viriam. Porém, em 2018, quando Samuel teve uma infecção generalizada muito séria, ele chegou novamente ao fundo do poço e voltou a depender da medicação.

Superado esse episódio, uma decisão aparentemente simples na véspera de Natal marcou o início de uma transformação mais profunda. Olhando para a mesa da ceia e vendo uma garrafa de Coca-Cola, decidiu parar de consumir a bebida que tomava em excesso.

A Descoberta da Corrida e Novos Hábitos

Essa primeira decisão levou a outras mudanças significativas:

  • Mergulhou na leitura de livros de autoajuda
  • Cortou o açúcar do café
  • Passou a tomar banho gelado
  • Introduziu o esporte em sua rotina

Começou a deixar o tênis de corrida na porta como forma de incentivo. No início, não gostava da atividade física, que representava um esforço enorme, mas percebeu que a corrida trazia benefícios físicos e mentais significativos.

Das Primeiras Provas às Maratonas Internacionais

Em pouco tempo, Marcelo estava participando de provas e completou sua primeira São Silvestre. Depois encarou uma meia maratona, ficando dois dias seguintes sem conseguir andar direito. Entendeu que precisava de assessoria esportiva para não prejudicar sua saúde.

Não demorou para concluir sua primeira maratona completa. Percorrer os 42 quilômetros da prova de Berlim foi uma experiência profundamente emocionante, marcando um ponto alto em sua jornada de superação.

Recaídas e a Importância de Buscar Ajuda

Mesmo adorando correr, Marcelo teve recaídas e crises de saúde mental. Quando decidiu se divorciar em 2021, chegou mais uma vez ao fundo do poço. Mantinha um diário onde registrou pensamentos de encerrar tudo, mas compreendeu que não era o que realmente queria.

Voltou ao psiquiatra e aos remédios, entendendo que viver com depressão é aprender a saber quando buscar ajuda. Hoje, felizmente, não depende mais dos medicamentos, mas reconhece que tudo bem se precisar usá-los novamente.

O Livro e o Legado para os Filhos

Um dos motivos que o levou a escrever Do Tarja Preta à São Silvestre foi a percepção de que os homens de sua geração não foram estimulados a falar de sentimentos e emoções. Os medicamentos e a prova de corrida representam os dois extremos de sua experiência.

Juntar tudo em um livro tornou-se uma espécie de herança que deseja deixar para seus filhos. Por ter perdido os pais cedo, ficou com receio de também morrer jovem. Compartilhar sua história é uma forma de ajudar outras pessoas, servindo de exemplo e gerando estímulo para enxergarem as coisas de outra forma.

Mentoria e Abertura para Diálogos

Hoje, muitos se abrem com Marcelo de maneira que não fariam normalmente, falando de problemas tangíveis como questões financeiras, de saúde ou experiências vividas. Ainda trabalhando no mercado corporativo, mantém um grupo de mentoria para que outros homens possam se abrir e discutir seus problemas.

Sua jornada demonstra que me abrir é uma forma de ajudar os outros, criando espaços de diálogo e apoio mútuo que podem transformar vidas. A história de Marcelo do Rego continua inspirando aqueles que enfrentam desafios similares, mostrando que é possível encontrar luz mesmo nos momentos mais escuros.