A vida da renomada chef brasileira Greta Guedes, de 46 anos, mudou radicalmente em março do ano passado, durante o que seriam férias tranquilas em Corumbá. O que começou como um simples formigamento e fraqueza nas pernas, enquanto pescava com o namorado, evoluiu para uma jornada intensa de diagnóstico e tratamento de uma condição neurológica grave e rara.
O início dos sintomas e o diagnóstico assustador
Greta inicialmente atribuiu os sintomas – pernas fracas, doloridas e formigando – a um novo medicamento psiquiátrico. Ela interrompeu o remédio por conta própria, esperando uma melhora em poucos dias. No entanto, a situação só piorou. Após uma semana no barco, no último dia das férias, ela já não conseguia mais andar e precisou ser carregada pelos pescadores. "Nunca vou esquecer a sensação de perder o controle do meu próprio corpo", relata.
De volta a São Paulo, foi direto a um hospital, convencida de que era um problema na coluna. Contudo, a insistência de uma médica em chamar um neurologista mudou o rumo da investigação. Após testes simples, como tentar agachar e levantar, que ela não conseguiu realizar, o diagnóstico foi dado em poucos minutos: Síndrome de Guillain-Barré, um distúrbio neurológico autoimune raro, em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos.
A internação e o longo processo de recuperação
A chef foi internada imediatamente e passou por uma bateria de exames, incluindo a eletroneuromiografia e a punção lombar. Ficou oito dias hospitalizada, período em que, segundo ela, toda a sua rotina desapareceu. O apoio da família foi fundamental para superar esse momento crítico.
O médico alertou desde o início que a recuperação seria lenta, com uma previsão de pelo menos um ano. No décimo mês de tratamento, Greta já recuperou a capacidade de andar, mas ainda enfrenta desafios significativos. Ela sente dores, tem dificuldade para subir degraus altos e ainda não pode dirigir, dependendo de aplicativos ou motorista. A medicação, que começou com onze comprimidos diários, foi reduzida para quatro.
"A síndrome não 'acaba': como é autoimune, vou conviver com ela, me cuidando e respeitando o tratamento", explica Greta, demonstrando uma visão realista sobre sua condição crônica.
As consequências físicas e emocionais na vida e no trabalho
A perda da mobilidade foi o golpe mais difícil para alguém sempre ativa. Ela perdeu 4 quilos de massa muscular apenas nas pernas, além de equilíbrio e sensibilidade. Na cozinha, queimou os dedos várias vezes sem perceber, pois não distinguia entre quente e frio da canela ao joelho.
Além da dor física, a chef enfrentou uma batalha psicológica, questionando "Por que comigo?", já que sempre manteve hábitos saudáveis. No seu negócio, a premiada empresa artesanal de quiches e tortas Quichiki, precisou contratar mais pessoas para ajudá-la, já que a gastronomia exige gestos delicados e precisos que ela ainda não recuperou totalmente.
Greta Guedes segue positiva e confiante na recuperação completa, mas aprendeu a respeitar os limites do seu corpo. Sua mensagem principal é um alerta: "Prestem atenção nos sinais". Ela revela que, dois anos antes do episódio agudo, já tinha tido sintomas semelhantes, tratados como ansiedade. Hoje, acredita que era o início da doença neurológica.
Ela finaliza com um conselho crucial: buscar ajuda especializada ao sentir algo similar, pois nem sempre é 'só' ansiedade. Investigar problemas neurológicos com antecedência pode ser decisivo. Com a certeza de que está no seu caminho de volta, mesmo como uma pessoa transformada pela experiência, Greta segue inspirando com sua resiliência e coragem.