O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, anunciou uma mudança radical no programa nacional de imunização infantil. Nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) oficializou a remoção de seis vacinas do calendário de vacinação universal para crianças saudáveis.
Quais vacinas foram retiradas do calendário obrigatório?
A decisão, que entrou em vigor imediatamente, significa que as seguintes vacinas não são mais recomendadas de forma rotineira para todas as crianças:
- Gripe (influenza)
- Hepatite A
- Hepatite B
- Meningococo
- Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
- Rotavírus
A nova política estabelece que esses imunizantes devem ser indicados somente para crianças em situação de alto risco ou mediante recomendação médica individual específica. A medida reduz a proteção padrão de 17 para 11 doenças consideradas "mais graves e perigosas" pelo governo.
Justificativa do governo e críticas dos especialistas
Em uma publicação na rede social Truth Social, o presidente Donald Trump defendeu a mudança, classificando o novo calendário como "muito mais razoável". Ele garantiu que os pais que desejarem ainda podem vacinar seus filhos, com os custos cobertos pelos planos de saúde, mas a decisão deve passar por uma "tomada de decisão clínica compartilhada" com um profissional.
No entanto, a revisão ocorre em um momento delicado: o país enfrenta uma temporada severa de gripe, com pelo menos nove mortes infantis confirmadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Especialistas em saúde pública reagiram com alarme à medida, que é vista como um impulso ao movimento antivacina, apoiado pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr.
A epidemiologista Caitlin Rivers, da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins, foi enfática em sua crítica à agência Bloomberg: "Acredito que um calendário reduzido colocará as crianças em risco e criará as condições para um ressurgimento de doenças evitáveis".
Comparação com a Dinamarca gera controvérsia
A Casa Branca tentou embasar a decisão comparando-a com políticas de países desenvolvidos como a Dinamarca, que também não recomenda universalmente algumas das vacinas retiradas. Contudo, a analogia foi rapidamente questionada por especialistas.
Anders Hviid, pesquisador do Statens Serum Institut da Dinamarca, alertou à CNN que a comparação é falha. "São dois países muito diferentes. A saúde pública não tem uma abordagem única para todos", explicou. Ele destacou que na Dinamarca, todos têm acesso a excelentes cuidados pré-natais e infantis, uma realidade que não se aplica uniformemente aos Estados Unidos, onde o acesso à saúde é desigual.
Hviid ressaltou o papel crucial das vacinas: "As vacinas previnem infecções que podem ter consequências graves para crianças que não têm acesso a bons serviços de saúde". A posição reflete um consenso entre muitos especialistas de que a mudança pode ampliar disparidades sociais e gerar surtos de doenças que estavam sob controle.
A medida representa uma guinada significativa na política de saúde pública americana e coloca o país em um caminho divergente das recomendações da comunidade médica tradicional, com consequências ainda incertas para a saúde coletiva das crianças.