EUA reduzem para 11 vacinas infantis obrigatórias; especialistas alertam para riscos
EUA cortam 6 vacinas do calendário infantil obrigatório

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, uma nova e significativa redução no calendário nacional de vacinação infantil. A medida, ordenada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), comandado por Robert Kennedy Jr., retira seis imunizantes da lista de recomendações universais para crianças.

Quais vacinas deixaram de ser obrigatórias?

Com a revisão, as vacinas contra gripe, hepatite A, hepatite B, meningococo, vírus sincicial respiratório (VSR) e rotavírus não são mais indicadas de forma rotineira para todas as crianças. Elas passam a ser recomendadas apenas em casos específicos, sob um modelo de “decisão compartilhada” entre médicos e famílias, focando em crianças consideradas de alto risco.

Essa mudança segue a retirada anterior da vacina contra a covid-19 do calendário infantil. Com isso, o país passa a recomendar apenas 11 vacinas universais na infância, um número drasticamente menor em comparação com as 17 anteriores.

Justificativa do governo e críticas de especialistas

Em nota, o secretário de Saúde afirmou que a revisão busca alinhar os EUA a um suposto “consenso internacional”, citando países como a Dinamarca, que possuem calendários com menos vacinas obrigatórias. O presidente Donald Trump endossou a medida em suas redes sociais, declarando que o calendário anterior estava “inflado”.

Contudo, a decisão é amplamente criticada por especialistas em saúde pública. Patrícia Vanderborght, doutora em Biologia Molecular e Genética Humana pela Fiocruz, alerta que a redução no calendário vacinal eleva o risco de ressurgimento de doenças já controladas. Esse temor não é infundado: os Estados Unidos já enfrentam surtos de sarampo, uma doença que havia sido considerada eliminada no país.

Contexto de desmonte e comparação internacional

A gestão de Robert Kennedy Jr. no HHS tem sido marcada por uma agenda claramente contrária às vacinas. No ano passado, os EUA já haviam deixado de recomendar a tetraviral para menores de 4 anos, e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) chegou a insinuar, sem base científica, uma ligação entre vacinas e autismo. Em dezembro, o CDC também votou para não recomendar mais a vacina contra hepatite B ao nascer.

Enquanto os EUA reduzem suas recomendações, outros países mantêm esquemas robustos:

  • França: Mantém 12 imunizações obrigatórias na infância.
  • Brasil: Seu Programa Nacional de Imunizações (PNI) é referência mundial e oferece mais de 30 vacinas em todas as fases da vida, com mais da metade indicada durante a infância.

Apesar da mudança, o governo norte-americano afirmou que os pais continuam livres para vacinar os filhos e que os planos de saúde manterão a cobertura para os imunizantes retirados da lista universal. No entanto, especialistas temem que a mensagem oficial de desconfiança possa desencorajar a vacinação, com consequências graves para a saúde coletiva.