Com a intensificação do calor nos últimos dias, o uso de ar-condicionado e ventiladores se tornou uma necessidade em lares e escritórios por todo o Brasil. No entanto, o alívio imediato proporcionado por esses aparelhos pode trazer consequências indesejadas para a saúde das vias respiratórias.
Os riscos escondidos no conforto térmico
A combinação de ar frio controlado e baixa umidade gerada pelos aparelhos de ar-condicionado pode provocar um ressecamento significativo das mucosas do nariz e da garganta. Essa condição deixa as vias respiratórias mais sensíveis e vulneráveis, podendo desencadear uma série de desconfortos.
Entre os sintomas mais comuns estão a irritação constante, a sensação de pigarro, tosse seca e um aumento na predisposição a infecções. A médica otorrinolaringologista Dra. Roberta Pilla, que é membro da ABORL-CCF – Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, faz um alerta importante.
“O ar-condicionado e o ventilador são aliados no calor, mas, se usados de forma inadequada, podem se tornar fatores de risco para problemas respiratórios”, explica a especialista. Ela detalha que mucosas ressecadas perdem eficiência na sua função natural de filtrar partículas do ar e defender o organismo contra agentes externos.
Choque térmico: um perigo constante no verão
Outro fator de risco frequentemente subestimado é a alternância brusca de temperatura. Ao sair de um ambiente climatizado para o calor intenso da rua, ou vice-versa, o corpo sofre o chamado choque térmico.
Essa mudança repentina provoca uma inflamação nas vias respiratórias, que ficam mais suscetíveis a irritações e, consequentemente, a processos infecciosos. Esse ciclo pode ser especialmente problemático para crianças, idosos e pessoas com condições respiratórias pré-existentes.
Medidas práticas para um verão mais saudável
Felizmente, especialistas da ABORL-CCF indicam uma série de cuidados simples que podem minimizar os efeitos negativos e permitir o uso seguro dos aparelhos de refrigeração.
Hidratação constante é a regra de ouro. Beber água regularmente ao longo do dia é fundamental para manter as mucosas úmidas e funcionando adequadamente.
A umidificação do ambiente também é crucial. O uso de umidificadores de ar ou mesmo de recipientes com água colocados nos cômodos ajuda a combater o ar seco e preserva a integridade das vias respiratórias.
É recomendável evitar mudanças bruscas de temperatura. Ao sair de um local com ar-condicionado, procure se proteger por alguns instantes antes de enfrentar o calor externo, e evite a exposição prolongada e direta ao vento frio do ventilador.
A limpeza regular dos aparelhos não pode ser negligenciada. Filtros sujos de ar-condicionado e ventiladores acumulam poeira, ácaros e outros alérgenos, que são então lançados no ar e inalados, piorando as irritações.
Por fim, a higiene nasal com soro fisiológico é um hábito poderoso. Lavar as narinas ajuda a manter a região úmida e remove partículas irritantes e agentes infecciosos.
Atenção aos sinais de alerta
Dra. Roberta Pilla reforça que o cuidado com a qualidade do ar que respiramos é um pilar da saúde. “Pequenas atitudes diárias permitem aproveitar o conforto do ar-condicionado e do ventilador sem comprometer a saúde das vias respiratórias”, afirma.
É importante ficar atento a sintomas que indicam a necessidade de procurar um médico. Tosse persistente, dor de garganta intensa, rouquidão que dura vários dias ou secreção nasal com coloração amarelada ou esverdeada são sinais que exigem avaliação profissional.
Neste verão, a prevenção é a melhor estratégia. Ajustar a temperatura do ar-condicionado para uma diferença não muito grande em relação ao ambiente externo, manter o corpo hidratado, adotar a higiene nasal e garantir a limpeza dos ambientes são medidas simples que fazem uma grande diferença para a saúde respiratória de toda a família.