A família da renomada escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie está em luto e busca respostas após a trágica morte de seu filho mais novo, Nkanu Nnamdi, de apenas 21 meses de idade. O bebê faleceu na última quarta-feira, 7 de janeiro, em um hospital na Nigéria, deixando parentes e amigos devastados. Agora, os familiares acusam a instituição de saúde de uma série de falhas graves no atendimento que teriam levado à fatalidade.
Acusações de negligência no atendimento
Em entrevista à emissora nigeriana Arise TV no sábado, a cunhada da autora, Anthea Nwandu, detalhou as supostas irregularidades ocorridas no Hospital Euracare, localizado em Lagos. Segundo seu relato, o diretor médico da unidade teria informado à própria Chimamanda que o filho recebeu uma dose excessiva de sedação, o que posteriormente causou uma parada cardíaca no menino.
Nwandu também afirmou que a equipe deixou a criança sem supervisão adequada, negou a administração de oxigênio quando necessário e realizou seu transporte de maneira inadequada, fora dos padrões de cuidado. A família acredita que a falta de oxigênio resultou em uma lesão cerebral no bebê.
Resposta do hospital e versão dos fatos
O Hospital Euracare emitiu um comunicado no sábado expressando suas "mais profundas condolências" pela "perda profunda e inimaginável" da família. No entanto, a instituição negou veementemente ter prestado um atendimento inadequado e afirmou que os relatos em circulação "contêm imprecisões".
De acordo com a nota, Nkanu chegou ao hospital em estado crítico, após já ter recebido tratamento em dois outros centros pediátricos. A instituição defendeu que a equipe "prestou atendimento imediato de acordo com os protocolos clínicos estabelecidos e os padrões médicos internacionalmente aceitos, incluindo a administração de sedação". Eles também afirmaram ter trabalhado em colaboração com equipes médicas externas, conforme recomendado pela família.
Apesar de todos os esforços descritos, o menino veio a falecer menos de 24 horas após sua admissão. O hospital anunciou que uma "investigação detalhada" sobre o caso já está em andamento e se disse comprometido em cooperar de forma "transparente e responsável" com todos os processos clínicos e regulatórios.
Vazamento de mensagem e reação das autoridades
Acusações semelhantes às feitas publicamente pela família apareceram em uma mensagem privada da escritora que vazou online. Omawumi Ogbe, porta-voz de Chimamanda, confirmou à BBC que o texto era originalmente destinado a um círculo restrito de familiares e amigos. "Embora estejamos tristes com o vazamento de um relato tão pessoal de luto e trauma, os detalhes nele contidos destacam as falhas clínicas devastadoras que a família agora é forçada a enfrentar", declarou Ogbe.
O caso ganhou repercussão nacional, levando o próprio presidente da Nigéria a expressar suas condolências. O sistema de saúde do país tem enfrentado uma grave crise com escassez de médicos, sobrecarregando os profissionais que permanecem.
Em resposta às alegações, a porta-voz do Ministério da Saúde do estado de Lagos, Kemi Ogunyemi, afirmou que o órgão "atribui o maior valor à vida humana e mantém tolerância zero para negligência médica ou conduta antiética". Ela confirmou que uma investigação "completa, independente e transparente" foi iniciada pelo órgão de vigilância sanitária estadual.
"Qualquer indivíduo ou instituição considerada culpada de negligência, má conduta profissional ou violações regulatórias enfrentará todo o rigor da lei", advertiu Ogunyemi, pedindo ao público que evite especulações enquanto a apuração oficial segue seu curso.
Chimamanda Ngozi Adichie, de 48 anos, autora premiada de livros como "Americanah", é uma das vozes literárias mais influentes da atualidade. Seus gêmeos, incluindo Nkanu, nasceram em 2024 por meio de barriga de aluguel. A família e seus admiradores em todo o mundo aguardam ansiosamente pelos resultados da investigação, na esperança de justiça e esclarecimentos sobre esta tragédia.