Terapia hormonal na menopausa não altera risco de demência, revela revisão de estudos
Terapia hormonal não altera risco de demência na menopausa

Terapia hormonal na menopausa não altera risco de demência, aponta revisão científica

Uma revisão abrangente de estudos publicada na revista científica The Lancet Healthy Longevity trouxe uma conclusão importante para a saúde feminina: a terapia de reposição hormonal durante a menopausa não altera o risco de desenvolvimento de demência. A análise, que envolveu mais de um milhão de participantes, oferece clareza sobre um tema que gerava controvérsias na comunidade médica.

Revisão sistemática com dados robustos

Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática de dez estudos, incluindo um ensaio clínico randomizado e nove estudos observacionais, publicados entre janeiro de 2000 e outubro de 2025. No total, foram analisados dados de 1.016.055 participantes, tornando esta uma das análises mais abrangentes sobre o tema.

A revisão não encontrou evidências de que o uso de THM [terapia hormonal da menopausa] aumenta ou reduz o risco de demência em mulheres na pós-menopausa, afirmam os pesquisadores no estudo. Esta conclusão contrasta com pesquisas observacionais anteriores que sugeriam benefícios cognitivos da terapia hormonal.

Contraponto a estudos anteriores

A pesquisa reconhece que estudos observacionais iniciais, como um publicado em 2021 na revista Alzheimer's & Dementia, indicavam que a terapia hormonal poderia reduzir o risco de doenças neurodegenerativas, incluindo a demência. Esses estudos sugeriam que o tratamento seria mais eficaz quando iniciado precocemente e utilizado por longos períodos.

No entanto, a revisão da Lancet ressalta as limitações metodológicas desses estudos observacionais e destaca que os efeitos cognitivos positivos não foram reproduzidos em ensaios clínicos randomizados, considerados padrão-ouro na pesquisa médica.

Evidências atuais e necessidade de mais pesquisas

Os pesquisadores concluíram que as evidências disponíveis não confirmam se a terapia hormonal na menopausa tem efeito positivo, negativo ou nulo sobre o risco de demência ou de comprometimento cognitivo leve. Eles enfatizam que as evidências atuais não sustentam o uso da terapia hormonal exclusivamente para redução do risco de demência.

Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não possui orientações específicas sobre terapia hormonal e seus impactos cognitivos. Os autores sugerem que esta revisão deve servir como base para futuras atualizações das diretrizes da OMS sobre redução do risco de declínio cognitivo e demência.

Relação entre menopausa e função cognitiva

A menopausa, fase do climatério que marca a transição da vida reprodutiva para a não reprodutiva, envolve a queda na produção dos hormônios estrogênio e progesterona. Além dos sintomas físicos bem conhecidos, este processo também gera consequências cognitivas, incluindo:

  • Perda de memória
  • Dificuldade de concentração
  • Problemas com foco

Estes sintomas ocorrem porque os receptores hormonais atuam no sistema nervoso central, e a redução dessas substâncias altera os neurotransmissores. Pesquisas recentes continuam investigando esta relação:

  1. Um estudo de 2025 publicado no PLOS One mostrou que maior carga de sintomas da menopausa está relacionada a função cognitiva mais precária
  2. Pesquisa de 2024 na Age and Ageing concluiu que menopausa precoce (antes dos 40 anos) aumenta o risco de demência

Indicações atuais da terapia hormonal

Apesar da ausência de evidências sobre efeitos na demência, a terapia hormonal continua sendo recomendada para amenizar sintomas do climatério e melhorar a qualidade de vida das mulheres. Os pesquisadores ponderam que são necessárias mais investigações para esclarecer completamente o papel da reposição hormonal em relação à demência.

De modo geral, as evidências disponíveis até o momento não sustentam o uso da THM exclusivamente para redução do risco de demência, concluem os autores, destacando a importância de decisões terapêuticas baseadas em evidências sólidas.