Menopausa ligada a perda de massa cinzenta e alterações cerebrais similares ao Alzheimer
Menopausa associada a perda cerebral e risco de demência

Menopausa está associada a perda de massa cinzenta e alterações cerebrais similares ao Alzheimer, aponta estudo

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 28, na revista Psychological Medicine, da Universidade de Cambridge, indica que a menopausa está associada à perda de massa cinzenta e a alterações cerebrais semelhantes às observadas na doença de Alzheimer. Segundo o estudo, esse processo pode ajudar a explicar por que as mulheres apresentam maior propensão à demência do que os homens.

Metodologia da investigação sobre os impactos da menopausa no cérebro

A investigação analisou os impactos da menopausa no cérebro e avaliou se a terapia de reposição hormonal pode contribuir para a prevenção do declínio cognitivo. Foram examinados dados de quase 125 mil mulheres, divididas em três grupos:

  • Mulheres na pré-menopausa
  • Mulheres na pós-menopausa que nunca utilizaram terapia hormonal
  • Mulheres na pós-menopausa que fizeram uso desse tratamento

As participantes responderam a questionários sobre a experiência da menopausa, saúde mental autodeclarada, padrões de sono e condições gerais de saúde. Parte do grupo realizou testes cognitivos, incluindo avaliações de memória e tempo de reação. Cerca de 11 mil mulheres também passaram por exames de ressonância magnética, o que permitiu aos pesquisadores analisar a estrutura cerebral.

Resultados apontam redução de massa cinzenta e sintomas associados

Os resultados apontam que a menopausa está ligada à redução da massa cinzenta, fundamental para funções como memória, emoções e movimento. O período também pode estar associado a sintomas como ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Entre as participantes, a idade média de início da menopausa foi de aproximadamente 49,5 anos. Já as mulheres que receberam prescrição de terapia de reposição hormonal iniciaram o tratamento, em média, aos 49 anos.

O estudo não identificou diferenças significativas entre os grupos no desempenho de memória. No entanto, mulheres na pós-menopausa que não fizeram uso de terapia hormonal apresentaram tempos de reação mais lentos do que aquelas que ainda não haviam entrado na menopausa ou que utilizavam o tratamento.

Especialistas comentam os efeitos da menopausa e da terapia hormonal

Segundo Katharina Zuhlsdorff, do Departamento de Psicologia da Universidade de Cambridge, o tempo de reação tende a diminuir com o envelhecimento de forma natural, tanto em homens quanto em mulheres. De acordo com a pesquisadora, a menopausa parece acelerar esse processo, enquanto a terapia de reposição hormonal pode retardá-lo levemente.

Christelle Langley, do Departamento de Psiquiatria da mesma universidade, destacou que a maioria das mulheres passará pela menopausa e que esse período pode representar uma mudança significativa na vida, independentemente do uso de terapia hormonal. Ela defende maior sensibilidade em relação à saúde física e mental das mulheres nessa fase e ressalta a importância de um estilo de vida saudável.

Importância de hábitos saudáveis para minimizar efeitos e reduzir risco de demência

Manter-se ativa, adotar uma alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos regularmente são medidas consideradas especialmente importantes durante a menopausa para minimizar alguns de seus efeitos. Segundo os especialistas, esses hábitos também podem ajudar a reduzir o risco de desenvolvimento de demência.

Terapia hormonal na menopausa não previne nem aumenta risco de demência, diz estudo

Pesquisas anteriores mostraram que tratamento com hormônios ajuda a diminuir problemas cognitivos; análise avaliou dez trabalhos com mais de um milhão de participantes entre 2000 e 2025. O estudo atual reforça que a terapia de reposição hormonal não previne nem aumenta o risco de demência, mas pode ter um efeito moderado na desaceleração do declínio cognitivo relacionado ao tempo de reação.