Implante PRIMA: chip de 2mm pode restaurar visão em 2026
Implante fotovoltaico PRIMA pode chegar ao mercado em 2026

Um avanço tecnológico na área da saúde ocular promete devolver a capacidade de enxergar a pessoas que sofrem de uma forma severa de degeneração macular. Trata-se do implante fotovoltaico PRIMA, um minúsculo chip de apenas 2 milímetros que, em conjunto com óculos especiais, atua como uma retina artificial.

Como funciona a tecnologia revolucionária

O sistema é composto por duas partes principais. A primeira é um par de óculos equipado com uma câmera e um processador. Este dispositivo capta as imagens do ambiente e as converte em sinais de luz infravermelha. A segunda parte é o próprio implante, inserido cirurgicamente na região da retina, no fundo do olho.

O implante PRIMA recebe os sinais infravermelhos dos óculos e os transforma em impulsos elétricos. Esses estímulos são então enviados diretamente ao cérebro através do nervo óptico, contornando os fotorreceptores danificados pela doença. "A sacada do dispositivo é que, como a pessoa tem uma atrofia na retina causada pela doença, o implante 'pula' os fotorreceptores danificados para disparar diretamente os sinais ao cérebro, que está íntegro", explica o oftalmologista Gustavo Gameiro, doutor pela Unifesp.

Resultados promissores em estudo internacional

A eficácia do dispositivo foi comprovada em uma pesquisa de grande escala, publicada no renomado The New England Journal of Medicine. O estudo multicêntrico, realizado em universidades da Europa e dos Estados Unidos, acompanhou 38 pacientes diagnosticados com atrofia geográfica, uma complicação avançada da degeneração macular relacionada à idade.

Desse total, 32 participantes completaram um ano usando o sistema. Os resultados foram medidos por meio de testes de acuidade visual, similares à leitura de letras em uma tabela oftalmológica. A melhora foi significativa: os pesquisadores observaram um aumento médio na capacidade visual equivalente a 25 letras após os doze meses de uso.

"Não é uma visão HD, em alta definição, mas já corresponde a 5% do que seria uma capacidade normal e saudável, o que é relevante para pacientes com atrofia da retina", comentou o Dr. Gameiro sobre os achados. A tecnologia restaurou a visão central dos voluntários, permitindo que voltassem a realizar tarefas que dependem do foco direto, como reconhecer rostos e ler.

Perspectivas de chegada ao mercado

A expectativa dos desenvolvedores e da comunidade médica é de que o implante PRIMA receba a aprovação regulatória e possa estar disponível comercialmente ainda em 2026, com estreia prevista inicialmente no mercado americano.

Este marco representa uma esperança concreta para milhões de pessoas em todo o mundo que enfrentam a degeneração macular, uma das principais causas de perda de visão irreversível em idosos. Com o contínuo refinamento da tecnologia, espera-se que a resolução da visão proporcionada pelo chip também melhore no futuro.

A combinação de microeletrônica, fotônica e neurociência está abrindo caminho para soluções antes consideradas ficção científica, transformando profundamente a qualidade de vida de pacientes com deficiência visual severa.