Trégua EUA-Irã reabre Estreito de Ormuz e movimentação naval cresce em abril de 2026
Trégua EUA-Irã reabre Estreito de Ormuz e movimentação naval cresce

Movimentação naval aumenta no Estreito de Ormuz após trégua entre EUA e Irã

Apenas algumas horas após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã entrar em vigor, a movimentação de navios pelo Estreito de Ormuz já apresentava um crescimento significativo. Sites de monitoramento do transporte marítimo, como o Vessel Finder, registraram a circulação de dezenas de embarcações no estreito na manhã de 8 de abril de 2026. Este aumento na atividade marítima ocorre após um acordo que prevê uma pausa nos ataques ao território iraniano por duas semanas, em troca da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Acordo de cessar-fogo e mediação do Paquistão

O cessar-fogo, alcançado na terça-feira, 7 de abril, com mediação do Paquistão, estabelece uma trégua bilateral. Durante este período, o Estreito de Ormuz permanecerá aberto, permitindo a passagem segura de navios, conforme confirmado pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Ele destacou que a passagem será segura, mas exigirá coordenação com as Forças Armadas do Irã e consideração às limitações técnicas.

As delegações dos Estados Unidos e do Irã se reunirão na sexta-feira, 10 de abril, em Islamabad, capital do Paquistão, para negociar um fim definitivo da guerra. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou o encontro, expressando gratidão pela sensatez das lideranças de ambos os países. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, confirmou a participação do Irã, com a delegação liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

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Tensões persistentes e declarações de autoridades

Apesar do acordo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou estar "com as mãos no gatilho" para bombardear vizinhos em caso de nova ofensiva dos EUA e Israel durante a trégua, conforme relatado pela agência de notícias Tasnim. Esta postura reflete as tensões contínuas, com o Irã mantendo prontidão para retaliar a qualquer ataque.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que todos os objetivos militares no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo de paz estão avançadas. Ele mencionou ter recebido uma proposta de paz do Irã com 10 pontos, considerada uma base viável para negociação. Trump afirmou que quase todos os pontos de divergência já foram acordados, e um período de duas semanas permitirá a finalização do acordo.

O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, destacou que Trump está "impaciente" por progresso nas negociações, expressando confiança em que um acordo definitivo será alcançado se o Irã negociar "em boa fé". No entanto, ele não especificou o significado dessa condição.

Proposta de paz do Irã e reações internacionais

A proposta de paz apresentada pelo Irã inclui 10 pontos principais, como:

  • Não agressão entre as partes.
  • Permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz.
  • Aceitação do enriquecimento de urânio pelo Irã.
  • Suspensão de todas as sanções primárias e secundárias ao Irã.
  • Revogação de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores da AIEA.
  • Pagamento de indenização ao Irã.
  • Retirada das forças de combate dos EUA da região.
  • Cessão da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano.

A TV estatal iraniana classificou o acordo como um "recuo humilhante de Trump", alegando que os EUA aceitaram os termos de Teerã. No entanto, a mídia iraniana também ressaltou que a trégua não representa o fim da guerra, mantendo um tom cauteloso.

Contexto de tensões e ataques recentes

Antes do cessar-fogo, as ameaças de Trump elevaram a tensão internacional, com alertas sobre possíveis crimes de guerra em caso de ataques a alvos civis no Irã. Houve temores de que ataques a usinas nucleares ou de energia pudessem provocar acidentes radiológicos graves ou colapsos econômicos, com impactos que poderiam ultrapassar as fronteiras iranianas.

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Horas antes do prazo dado por Trump expirar, bombardeios foram registrados no Oriente Médio. Os Estados Unidos atacaram a ilha de Kharg, estratégica para a produção de petróleo iraniana, enquanto Israel afirmou ter realizado "amplos ataques" no território iraniano, atingindo infraestruturas como pontes, ferrovias e aeroportos. O Irã reagiu convocando a população a formar escudos humanos e lançando ataques contra países como Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.

Este cenário complexo destaca a fragilidade da trégua e a importância das negociações em Islamabad para buscar uma solução duradoura que evite uma escalada maior do conflito, com potenciais repercussões globais na segurança e economia.