Megaoperação policial desmantela rede de jogos de azar com prisões em cinco estados
A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) deflagrou uma megaoperação entre terça-feira (7) e quarta-feira (8) que resultou na prisão de 55 pessoas suspeitas de envolvimento com jogos de azar e lavagem de dinheiro. A ação, que mobilizou mais de 330 policiais e três aeronaves, atingiu 27 cidades de cinco estados brasileiros, com foco especial no noroeste paranaense.
Vereadores entre os presos e estrutura criminosa bilionária
Entre os investigados que foram presos preventivamente estão duas autoridades municipais: Víctor Hugo Davanço, presidente da Câmara Municipal de Cianorte (Podemos), e Marcelo Gaúcho, vice-presidente da Câmara de Goioerê (PSD). A polícia não detalhou as funções específicas de cada um na organização criminosa, mas confirmou que ambos fazem parte do esquema.
Segundo as investigações, que se estenderam por mais de três anos, os suspeitos movimentaram bilhões de reais através de mais de 500 mil operações financeiras. A estrutura criminosa era formada pela fusão de dois dos maiores grupos de jogos ilegais do país - um paranaense e outro goiano - que utilizavam fintechs e contas de "laranjas" para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Apreensões milionárias e alcance nacional do esquema
Durante a operação, foram expedidas 371 ordens judiciais, incluindo 85 mandados de prisão preventiva, 102 de busca e apreensão e 184 de bloqueio de contas bancárias. A polícia busca o sequestro de R$ 1,5 bilhão em valores ligados ao esquema.
As apreensões foram significativas:
- 132 veículos avaliados em mais de R$ 11 milhões
- 111 imóveis estimados em R$ 32,9 milhões
- Mais de 100 cabeças de gado somando R$ 43,9 milhões
- 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar
Em Cianorte, considerada uma das bases principais do grupo, os agentes encontraram carros de luxo, máquinas caça-níqueis e dinheiro em espécie. O delegado Marcos Felipe destacou a descoberta de uma lotérica que funcionava como "mini cassino" para lavagem de dinheiro, localizada ao lado de outra lotérica ligada a um dos investigados.
Estrutura complexa e tecnologia sofisticada
A investigação analisou mais de 2,6 terabytes de dados e realizou 57 afastamentos de sigilo bancário e 62 de sigilo fiscal. A apuração revelou uma organização criminosa com estrutura bem definida:
- Liderança - incluindo vereadores e outras figuras-chave
- Núcleo financeiro - responsável pela movimentação dos recursos
- Suporte tecnológico - com empresa dedicada ao desenvolvimento de sistemas
- Núcleo operacional - encarregado das atividades diárias
O grupo mantinha uma empresa de tecnologia voltada exclusivamente ao desenvolvimento de sistemas e plataformas online de jogos de azar. Técnicos trabalhavam diariamente na manutenção de sites e softwares que controlavam o jogo do bicho e outras modalidades em pelo menos 14 estados brasileiros.
Defesa dos investigados e reações institucionais
As defesas dos dois vereadores presos manifestaram-se após as prisões. A defesa de Víctor Hugo Davanço informou que não teve acesso aos autos do processo e que os fatos serão esclarecidos, demonstrando a inocência do cliente. A Câmara de Cianorte afirmou que não recebeu notificação oficial sobre a prisão do presidente, mas está à disposição para colaborar com a investigação.
Da mesma forma, a defesa de Marcelo Gaúcho declarou que não teve acesso aos autos e pretende comprovar a inocência do vereador. A Câmara de Goioerê também informou que não recebeu notificação oficial sobre o caso. O g1 procurou os partidos Podemos e PSD, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
Abrangência geográfica da operação
A megaoperação atingiu cidades em cinco estados brasileiros:
Paraná (19 cidades): Campo Mourão, Sarandi, Maringá, Cianorte, Londrina, Terra Boa, Curitiba, Goioerê, Cascavel, Cidade Gaúcha, Engenheiro Beltrão, Sabáudia, Marechal Cândido Rondon, Paraíso do Norte, Loanda, Medianeira, Faxinal, Apucarana e Alvorada do Sul.
São Paulo (2 cidades): Praia Grande e São Paulo.
Goiás (3 cidades): Anápolis, Valparaíso de Goiás e Goiânia.
Santa Catarina (1 cidade): Caçador.
Pará (1 cidade): Castanhal.
A operação representa um dos maiores golpes contra organizações criminosas de jogos de azar no país nos últimos anos, com desdobramentos que devem continuar nas próximas semanas conforme a polícia analisa o material apreendido e aprofunda as investigações sobre a extensão completa da rede criminosa.



