Frenesi do OpenClaw na China: usuários 'criam lagostas' de IA para otimizar negócios
OpenClaw na China: usuários 'criam lagostas' de IA para negócios

Frenesi do OpenClaw na China: usuários 'criam lagostas' de IA para otimizar negócios

O assistente de inteligência artificial OpenClaw, conhecido na China pelo apelido de "lagosta", desencadeou um fenômeno de popularidade no país em março, com usuários mergulhando no treinamento personalizado da ferramenta para atender necessidades específicas. A segunda maior economia do mundo, incentivada pela liderança chinesa, abraçou a IA com uma mistura de curiosidade e preocupação, refletindo um apetite inovador apesar das restrições tecnológicas.

O caso de Wang: da imersão à revolução nos negócios

Wang, um jovem engenheiro de TI que prefere não revelar seu nome completo devido a atividades paralelas em uma loja online no TikTok — proibida na China —, exemplifica o impacto do OpenClaw. Após "mergulhar" na ferramenta, ele desenvolveu sua própria "lagosta", adaptando o código aberto para automatizar tarefas tediosas em seu comércio digital. Enquanto antes administrava cerca de 12 listagens de produtos por dia, sua IA em testes consegue realizar até 200 em apenas dois minutos, escrevendo descrições, comparando preços com concorrentes e otimizando campanhas.

"É assustador, mas também fascinante", relata Wang. "Minha lagosta é melhor nisso do que eu. Ela escreve melhor e pode comparar meus preços instantaneamente, algo que eu nunca teria tempo de fazer." Sua experiência ilustra como o OpenClaw está sendo usado para aumentar a eficiência em setores como o comércio eletrônico, onde a automação pode transformar operações manuais em processos rápidos e precisos.

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Origem e expansão do fenômeno

Criado pelo desenvolvedor austríaco Peter Steinberger, que posteriormente ingressou na OpenAI, o OpenClaw é construído com dados e tecnologia em domínio público, permitindo personalizações para modelos chineses de IA — uma vantagem crucial, já que plataformas ocidentais como ChatGPT e Claude não são acessíveis no país. Wendy Chang, do centro de estudos MERICS, observa que o entusiasmo que transformou o OpenClaw em tendência foi "exclusivamente chinês", com gigantes tecnológicas como Tencent e Baidu distribuindo versões personalizadas gratuitas, atraindo filas de estudantes a aposentados.

O fenômeno se alimenta de anos de investimentos chineses em tecnologia básica, incluindo IA, com aplicativos como DeepSeek pavimentando o caminho para a adoção de plataformas de código aberto. Rui Ma, fundador da newsletter Tech Buzz China, explica que "todos na China sabem que o governo define o passo e diz a você onde estão as oportunidades", destacando como as diretrizes oficiais orientam o mercado. Cidades como Wuxi ofereceram incentivos de até cinco milhões de yuans para usos do OpenClaw em robótica e produção industrial, alinhados à estratégia nacional de "AI Plus".

Impactos sociais e contradições do sistema

A popularidade do OpenClaw também reflete desafios sociais, como a taxa de desemprego juvenil acima de 16%, com incentivos governamentais focando em "empresas individuais" — startups administradas por uma pessoa com apoio de IA. Jenny Xiao, ex-pesquisadora da OpenAI, aponta que promover o OpenClaw é uma medida estratégica para as autoridades, embora o entusiasmo inicial tenha diminuído devido a custos operacionais e preocupações de segurança. Autoridades de cibersegurança em Pequim emitiram alertas sobre riscos, levando agências governamentais a proibir a instalação da ferramenta, uma contradição típica do sistema vertical chinês, descrito por Ma como "desordem com controle".

No ambiente competitivo, a imprensa chinesa cunhou o termo "Guerra dos 100 Modelos" para descrever a proliferação de mais de 100 modelos de IA desde 2023, com especialistas notando que as plataformas locais ainda estão atrás das ocidentais, mas a distância está diminuindo. O medo de ficar para trás é palpável, com comentários no jornal estatal People's Daily sugerindo que, em 2026, não "criar lagostas" pode significar perder na linha de partida. Jason, um programador de TI, relata que sua equipe só contrata pessoas com experiência em ferramentas de IA, refletindo uma transformação no mercado de trabalho.

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Conclusão: um futuro incerto mas promissor

Wang encara a era da IA com uma mistura de apreensão e otimismo. "Qualquer pessoa pode ser substituída", admite, mas ele vê oportunidades, planejando transformar seus negócios no TikTok em emprego em tempo integral com ajuda da IA. Se as "lagostas" eventualmente administrarem lojas sozinhas, ele pretende usar a tecnologia para encontrar novos negócios, exemplificando a adaptabilidade que o fenômeno OpenClaw está fomentando na China. Este cenário destaca como a inteligência artificial está redefinindo não apenas a eficiência operacional, mas também as perspectivas de carreira e inovação em um dos maiores mercados tecnológicos do mundo.