STF estabelece novas regras para remuneração de magistrados após Paraná pagar R$ 839,8 milhões acima do teto
STF define regras para salários de juízes após Paraná pagar R$ 839 mi acima do teto

STF impõe limites a pagamentos de magistrados após Paraná liderar ranking de valores acima do teto

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou novas regras rigorosas para a remuneração de magistrados e membros do Ministério Público, em uma decisão histórica que busca conter os chamados "penduricalhos" – adicionais pagos além do teto constitucional. A medida chega em um momento crucial, especialmente para o Paraná, onde o Tribunal de Justiça (TJ-PR) se destacou como o terceiro que mais pagou valores acima do limite legal no país.

Paraná no topo dos pagamentos extrateto

Entre janeiro e novembro de 2025, juízes e desembargadores do TJ-PR receberam impressionantes R$ 839,8 milhões acima do teto constitucional, segundo levantamento da ONG Transparência Brasil em parceria com a República.org, com base em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mesmo sem considerar dezembro – cujos contracheques não estavam disponíveis na época da pesquisa –, o estado figura entre os tribunais com maiores pagamentos extrateto, atrás apenas de São Paulo (R$ 3,9 bilhões) e Minas Gerais (R$ 1,2 bilhão).

O teto constitucional do funcionalismo público corresponde ao salário de um ministro do STF, que em 2025 subiu de R$ 44 mil em janeiro para R$ 46,3 mil nos meses seguintes. No entanto, os valores pagos no Paraná ultrapassaram largamente esse limite.

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Verbas que explicam os altos valores

Cristiano Pavini, coordenador de projetos na Transparência Brasil, aponta dois tipos de verbas como principais responsáveis pelos pagamentos elevados no estado:

  • Pagamentos retroativos: Somaram quase meio bilhão de reais distribuídos ao longo de 2025.
  • Licença compensatória: Adicional que prevê um dia de folga a cada três trabalhados em casos de acúmulo de serviço, podendo ser convertido em dinheiro. "São praticamente R$ 150 milhões distribuídos sob essa rubrica, que é um benefício que a Transparência Brasil considera ilegal. Não deveria ser distribuído porque não existe uma previsão em lei nacional", explicou Pavini.

Atualmente, o Judiciário paranaense conta com 822 juízes e 131 desembargadores. O levantamento revela que o maior valor pago a um magistrado do estado, em um único mês, alcançou R$ 249,9 mil – mais de cinco vezes o teto constitucional. Esse montante equivale a 164 salários mínimos da época ou à renda mensal de aproximadamente 90 famílias paranaenses.

As novas regras do STF

No dia 25 de março, o Supremo Tribunal Federal fixou normas que limitam significativamente os adicionais pagos além do teto. As regras, que começam a valer em abril e devem impactar os salários a partir de maio, estabelecem que a soma de benefícios fica limitada a até 70% do teto constitucional.

Esse percentual é dividido em duas partes iguais:

  1. Valorização por tempo de carreira: Adicional de 5% a cada cinco anos, limitada a 35 anos de exercício.
  2. Verbas indenizatórias: Incluem diárias, ajuda de custo para remoção, gratificação de magistério, férias não tiradas e acúmulo de jurisdição.

Entre as proibições mais significativas, o STF vetou o pagamento de benefícios como as licenças compensatórias, que podem aumentar a remuneração mensal de magistrados, promotores e procuradores em cerca de 30%. A decisão também determina maior transparência: tribunais e Ministérios Públicos deverão divulgar mensalmente, de forma detalhada, a remuneração de cada integrante em seus sites, sob pena de responsabilização dos gestores.

Reações e expectativas

Para a Transparência Brasil, a decisão do STF tem efeito ambíguo. Embora crie limites importantes, também legitima pagamentos acima do teto dentro de uma nova faixa estabelecida. "Então, o que se espera, de modo geral, é que a partir da decisão da Suprema Corte, haja uma redução nesses valores exorbitantes pagos pelo Tribunal do Paraná aos seus magistrados e também pelo Ministério Público aos seus promotores e procuradores", afirmou Cristiano Pavini.

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Em nota oficial, o Ministério Público do Paraná informou que segue os parâmetros constitucionais e que vai cumprir as determinações do STF, analisando a decisão para garantir a aplicação correta das novas regras. Já o Tribunal de Justiça do Paraná não se manifestou sobre o assunto quando procurado pela reportagem.

Esta mudança representa um marco na tentativa de conter os gastos com remunerações no Judiciário e no Ministério Público, setores que historicamente enfrentam críticas por pagamentos acima dos limites constitucionais. A implementação das novas regras será acompanhada de perto por organizações da sociedade civil e pela população, que esperam maior controle e transparência nos gastos públicos.