Mulher é presa por matar marido após discussão por internet em Cafelândia
Mulher presa por matar marido após briga por internet no PR (03.04.2026)

Mulher é presa suspeita de assassinar marido após discussão por internet em Cafelândia

A Polícia Civil do Paraná prendeu preventivamente Jaqueline Francisca dos Santos Schumann, de 32 anos, acusada de matar o marido, Valdir Schumann, de 44 anos, no município de Cafelândia, na região oeste do estado. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou a mulher por homicídio triplamente qualificado e fraude processual, crimes considerados hediondos pela legislação brasileira.

Motivação do crime envolveu discussão doméstica

Inicialmente, as investigações apontavam que o assassinato teria ocorrido porque Valdir se recusou a consertar o roteador de wi-fi da residência do casal. Contudo, o relatório final da Polícia Civil, divulgado nesta quarta-feira (1º), atualizou a motivação: a discussão começou quando Jaqueline queria desligar a internet e a televisão, mas o marido discordou da decisão.

As qualificadoras que tornam o crime hediondo são: uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, motivo fútil para o homicídio e execução em condições que geraram perigo comum, já que o crime aconteceu na presença do filho do casal, de apenas 13 anos.

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Fraude processual e tentativa de simular acidente

Segundo o Ministério Público, Jaqueline cometeu fraude processual ao movimentar a arma "para cima de uma cama com a intenção de simular suicídio ou disparo acidental". O laudo da Polícia Científica, no entanto, demonstrou que a posição do tiro é incompatível com um disparo feito pela própria vítima.

Valdir era destro e foi atingido no braço esquerdo, fato que, para os investigadores, torna improvável a versão inicial apresentada pela acusada de que o marido teria se ferido acidentalmente ao manusear a arma. O laudo também não identificou sinais de disparo à curta distância.

Filho presenciou crime e relatou à polícia

O filho do casal, de 13 anos, presenciou todo o ocorrido e contou a pelo menos quatro familiares que a mãe foi a autora do disparo. O adolescente foi ouvido pelo Conselho Tutelar de Cafelândia, que realizou um relatório de atendimento e confirmou a revelação espontânea, quando o órgão descobre uma infração penal através de uma criança ou adolescente em situação de risco.

Atualmente, o jovem está sob os cuidados de familiares e continua sendo atendido pelo Conselho Tutelar local. Seu relato reforçou a conclusão das investigações de que Valdir foi morto com um tiro de espingarda dentro da própria casa.

Defesa contesta denúncia e prisão preventiva

Em nota oficial, a defesa de Jaqueline Schumann afirmou que existem "robustos elementos probatórios" que contradizem a versão apresentada pela investigação policial. Os advogados sustentam que a prisão é precipitada e que os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo do processo judicial.

"A denúncia, ao menos no estado atual em que foi apresentada, revela-se manifestamente precipitada, na medida em que desconsidera fatos relevantes apontados na investigação", declarou a defesa. Os profissionais jurídicos também destacaram que a acusada colaborou com as investigações, não possui antecedentes criminais e tem residência fixa na região.

Processo segue para júri popular

A Promotoria de Justiça solicitou que Jaqueline seja submetida a júri popular e também pague uma indenização de R$ 100 mil à família da vítima. A denúncia agora será encaminhada à Justiça, que poderá aceitá-la ou rejeitá-la. Caso seja aceita, a acusada será formalmente considerada ré no processo.

Testemunhas ouvidas durante as investigações relataram à polícia que o casal mantinha brigas frequentes e que Jaqueline era considerada agressiva no ambiente doméstico. Familiares de Valdir procuraram a delegacia para denunciar a morte e contestar a primeira versão apresentada pela mulher, que afirmava ter sido um acidente.

Jaqueline foi presa 15 dias após a morte do marido, ocorrida no dia 12 de março. O caso continua sob investigação e acompanhamento das autoridades competentes, com novas informações podendo surgir conforme o andamento processual.

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