Violência no Barreiro altera itinerário de ônibus em BH: linhas 319 e 332 desviadas
Violência altera itinerário de ônibus 319 e 332 em BH

Conflitos armados no Barreiro forçam alteração no transporte público de Belo Horizonte

A escalada de violência em comunidades do Barreiro, região administrativa de Belo Horizonte, provocou mudanças significativas na rotina dos moradores e no sistema de transporte coletivo da capital mineira. Uma guerra entre facções criminosas pela disputa do controle do tráfico de drogas na Vila Cemig e no Conjunto Esperança levou a prefeitura a alterar temporariamente o itinerário das linhas de ônibus 319 e 332, que atendem essas localidades.

Restrições impostas por criminosos via mensagens digitais

No último domingo, 18 de fevereiro, moradores das comunidades receberam mensagens pelo aplicativo WhatsApp supostamente enviadas por criminosos. As comunicações estabeleciam regras rigorosas para a circulação de veículos, incluindo a exigência de que motoristas abaixassem os faróis e acendessem a luz interna ao adentrarem a Vila Cemig. O conteúdo das mensagens alertava que quem não seguisse essas determinações seria considerado uma ameaça e monitorado.

"Qualquer carro que entrar na Vila Cemig deve abaixar o farol e acender a luz interna. Quem não seguir esse procedimento será visto como ameaça e será monitorado. Moradores do conjunto, se puderem evitar nossa comunidade, evitem", dizia um dos avisos divulgados nas redes sociais.

Resposta das autoridades e alteração no transporte

Diante da situação, a Prefeitura de Belo Horizonte confirmou na segunda-feira, 19 de fevereiro, que as linhas do transporte metropolitano 332 e 319 tiveram seus itinerários modificados por "questões de segurança" na Região do Barreiro. A administração municipal informou que acionou a Polícia Militar para garantir condições seguras que permitissem a retomada da rota habitual dos coletivos.

A Polícia Militar de Minas Gerais afirmou que está apurando a veracidade e autoria das mensagens enviadas aos moradores, destacando que ainda não há confirmação oficial sobre a origem da comunicação ou possível vinculação a facções criminosas de outros estados. A corporação reforçou a importância da colaboração da população, orientando que qualquer informação relevante ou situação suspeita seja comunicada imediatamente pelos canais oficiais.

Impacto na vida dos moradores e acesso a serviços básicos

Em depoimentos anônimos ao g1, residentes das comunidades afetadas relataram que as disputas criminosas têm impactado profundamente seu cotidiano e o acesso a serviços essenciais. Uma moradora do Conjunto Esperança compartilhou sua experiência:

"A gente tem que tomar cuidado ao sair de casa e ao entrar. Isso tudo foi motivado por desavenças pelo controle da região, e os moradores são os mais prejudicados. A maior dificuldade agora é acessar o Centro de Saúde da Vila Cemig. Eu penso em mudar daqui o tempo todo".

Retorno à normalidade com reforço policial

Nesta terça-feira, 20 de fevereiro, os ônibus voltaram a circular normalmente dentro da Vila Cemig e do Conjunto Esperança após o policiamento local ser intensificado. De acordo com a Polícia Militar, houve reforço de efetivo e operações direcionadas na área. A BHTrans emitiu uma nota comunicando que não houve interrupção nas linhas e que as mudanças feitas na rota dos coletivos seriam retomadas nas próximas horas, graças ao reforço na segurança.

Contexto de violência na região

A escalada de conflitos na Vila Cemig e no Conjunto Esperança não é um fenômeno recente. Desde dezembro do ano passado, a região tem registrado episódios violentos decorrentes da disputa pelo controle do tráfico de drogas:

  • Em dezembro de 2023, um confronto armado entre grupos rivais em uma quadra de futebol resultou em duas pessoas mortas e nove baleadas. Os suspeitos vestiam uniformes da Polícia Civil para confundir a ação policial, e distintivos, pistolas e fuzis foram apreendidos pela PM.
  • No dia 11 de janeiro de 2024, um homem de 41 anos morreu após ser atingido por tiros na Vila Cemig. A vítima não era o alvo dos criminosos, mas foi baleada por engano e não resistiu aos ferimentos.

A sensação de medo e insegurança entre os moradores tem aumentado progressivamente, afetando não apenas a mobilidade urbana através das alterações no transporte público, mas também o acesso a serviços de saúde e a qualidade de vida na região. As autoridades continuam monitorando a situação enquanto buscam garantir a segurança da população local.