Síndica sofre agressões físicas em condomínio de Samambaia após decisão sobre individualização de água
A síndica de um prédio localizado em Samambaia, no Distrito Federal, foi vítima de ameaças e agressões físicas por parte de duas moradoras do condomínio. O conflito teve origem na decisão de individualizar a conta de água do edifício, medida aprovada em assembleia realizada no ano de 2024. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que já registrou boletins de ocorrência relacionados às agressões.
Conflito se intensifica com resistência à individualização
De acordo com a síndica, Cristina Valente, a situação começou a se agravar quando os moradores foram informados sobre a vinda de técnicos da Caesb para concluir o processo de individualização das contas de água. "Quando informamos que a Caesb viria para concluir a individualização, essa moradora passou a resistir. Ela é proprietária de um 'garden', onde tem animais, muitas plantas. Se hoje ela pagasse a conta individual, chegaria em torno de R$ 500", afirmou Cristina.
A moradora em questão começou a impedir o trabalho dos técnicos da companhia de saneamento e a fazer ameaças contra a síndica, que foram registradas em vídeo. Em um determinado dia, a mulher esperou por cerca de três horas na portaria do prédio, o que levou Cristina a chamar a polícia para poder entrar em sua própria residência com segurança. "Depois disso, eu evitei sair sozinha. Comecei a pedir ajuda dos vizinhos e da minha família", relatou a síndica.
Ameaças se transformam em violência física
Na última quinta-feira, dia 15, as ameaças evoluíram para agressões físicas, que foram capturadas pelas câmeras de segurança do condomínio. Nas imagens, é possível observar a síndica, vestindo um vestido preto, acompanhando os técnicos na portaria quando a moradora agressora aparece e parte para cima dela.
Inicialmente, a filha da agressora, que usava um vestido colorido, tentou segurar a mãe, mas depois também se voltou contra a síndica, perseguindo-a até o estacionamento, onde as agressões continuaram. Cristina teve os cabelos arrancados durante o ataque e precisou fugir correndo em busca de ajuda. "Na segunda vez, eu precisei sair correndo pedindo ajuda porque eu sentia que podia morrer. Eu não consegui voltar para pegar o meu carro e só retornei quando a PM esteve aqui. Eu apanhei duas vezes, tive o cabelo arrancado e, em nenhum momento, toquei nelas ou desonrei ninguém", declarou a síndica.
Contexto da individualização e impactos no condomínio
O prédio, que possui 15 andares e 143 apartamentos, acumulou uma dívida de aproximadamente R$ 60 mil com a Caesb nos últimos anos. Para evitar o crescimento desse débito, os moradores aprovaram em assembleia a individualização da cobrança da conta de água por apartamento. No entanto, devido às agressões, os técnicos da Caesb não conseguiram concluir o serviço, e uma terceira visita foi solicitada, mas ainda sem data definida.
Os moradores do condomínio estão com medo de novas confusões e violências. Luciane Souza, secretária executiva e membro do conselho fiscal, revelou que mudou sua rotina por temer ser agredida. "Eu participo do conselho fiscal há muitos anos. Hoje, eu sinto medo porque essa moradora já mostrou que pode ser agressiva. Depois dessa agressão, eu temo pela minha integridade física. Eu durmo mal, tenho crise de ansiedade. Muitos moradores estão preocupados. Eu já pensei em sair, mas esse é o sonho da minha vida. Então, eu fico, mesmo com medo", afirmou Luciane.
Medidas tomadas para resolver a situação
Na tentativa de resolver o conflito, o condomínio convocou uma nova assembleia para a próxima segunda-feira, dia 26. A reunião será realizada de forma virtual para evitar novos confrontos físicos. Segundo o advogado do condomínio, a pauta inclui a discussão de ações legais contra as moradoras agressoras, que podem resultar no afastamento delas do prédio.
Enquanto isso, a Polícia Civil continua investigando o caso, e os moradores aguardam uma solução que restaure a paz e a segurança no condomínio de Samambaia.