Viúva de agricultor morto pela BM em Pelotas presta depoimento à Polícia Civil
Viúva de agricultor morto pela BM presta depoimento em Pelotas

A viúva do produtor rural Marcos Nörnberg, de 48 anos, prestou depoimento nesta terça-feira (20) na Delegacia de Homicídios de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Raquel Nörnberg estava presente no momento em que o agricultor foi morto a tiros por policiais militares durante uma ação da Brigada Militar, na madrugada de quinta-feira (15), na zona rural do município.

Detalhes do depoimento e relato da viúva

Inicialmente, o depoimento de Raquel Nörnberg estava agendado para a tarde de segunda-feira (19), mas foi cancelado e remarcado para esta terça. A Polícia Civil não divulgou informações específicas sobre o conteúdo do seu testemunho, mantendo sigilo sobre os detalhes.

Em entrevistas concedidas anteriormente à imprensa, Raquel descreveu os momentos que antecederam a tragédia. Segundo ela, o casal dormia quando, por volta das 3 horas da madrugada de quinta-feira, ouviram uma movimentação incomum no pátio da residência.

"Pensei que fosse um assalto", relatou a viúva, explicando que o marido buscou a arma que mantinha na casa para se proteger. Após esse momento, ela afirma ter ouvido apenas gritos e tiros, resultando na morte de Marcos Nörnberg dentro da própria residência.

Enterro marcado por comoção e contradições nas versões

O sepultamento do agricultor ocorreu na manhã de sexta-feira no Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, em Pelotas, com grande comoção da comunidade local. Devido à gravidade dos ferimentos, o velório foi realizado com caixão fechado.

Enquanto a Brigada Militar sustenta que Marcos Nörnberg atirou contra os agentes durante a ação, a viúva contesta essa versão de forma veemente. "Em nenhum momento ele saiu de dentro da nossa casa. Ele foi alvejado dentro da nossa casa", afirmou Raquel em declarações públicas.

Contexto da operação policial e afastamentos

O endereço do casal teria sido informado por suspeitos presos pela Polícia Militar do Paraná, que foram detidos em Guaíra na quarta-feira (14). Esses indivíduos, com idades entre 20 e 21 anos e antecedentes por tráfico de drogas, roubo e adulteração de veículo, estariam envolvidos em um roubo a residência ocorrido em Pelotas na terça-feira (13), onde um caseiro foi mantido refém por 36 horas.

O comandante-geral da Brigada Militar, Cláudio Feoli, admitiu publicamente que houve um "grande equívoco" na ação. Como consequência, os 18 policiais militares envolvidos no episódio foram afastados de suas funções.

Investigações em andamento e apreensões

A Corregedoria-Geral da Corporação instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar minuciosamente as circunstâncias do caso. Paralelamente, a Polícia Civil também abriu um inquérito independente para investigar o ocorrido.

Durante a ação, foram apreendidos diversos itens, incluindo as armas utilizadas pelos policiais, uma carabina semiautomática encontrada no local, aproximadamente R$ 27 mil em dinheiro e uma pequena quantia em dólar. O local do incidente foi imediatamente isolado e preservado para os trabalhos periciais.

A Brigada Militar reiterou em nota oficial que a operação foi planejada com base em informações recebidas da Polícia Militar do Paraná, indicando que no endereço haveria outros indivíduos envolvidos nos crimes, portando armas e veículos roubados. A corporação mantém que durante a averiguação, os policiais se depararam com um homem armado que não acatou as ordens e efetuou disparos contra a guarnição, resultando no confronto fatal.