A Polícia Civil divulgou nesta sexta-feira, dia 23, uma série de vídeos que revelam com precisão a cronologia dos eventos que culminaram no feminicídio da personal shopper Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos. O material, obtido através de câmeras de segurança, detalha desde as agressões iniciais até a tentativa de encobrimento do crime pelo namorado da vítima, Alison de Araújo, de 43 anos, que foi indiciado por feminicídio e fraude processual e está preso em Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais.
Detalhes da cronologia do crime
De acordo com as investigações, Henay foi esganada até a morte por Alison dentro do apartamento do casal, localizado em Belo Horizonte. Após cometer o crime, o investigado colocou o corpo da vítima no banco do motorista e, dirigindo pelo banco do passageiro, percorreu aproximadamente 79 quilômetros até Itaúna, onde provocou um acidente de trânsito com o objetivo de mascarar o homicídio.
Linha do tempo dos eventos
A polícia estabeleceu uma ordem cronológica precisa baseada nas imagens coletadas:
- 17 de agosto, 1h25 – Câmeras instaladas dentro do apartamento registraram Alison agredindo Henay com diversos socos enquanto ela estava sentada no sofá.
- 13 de dezembro, 14h39 – Imagens da câmera interna mostraram o casal deitado em um colchão na sala, indicando que o investigado ainda mantinha o dispositivo ativo na véspera do crime.
- 13 de dezembro, 20h44 – Uma câmera do condomínio capturou o último momento de Henay com vida, quando ela acenou para amigos ao chegar ao prédio.
- 14 de dezembro, 4h49 – Câmeras de monitoramento flagraram Alison arrastando o corpo de Henay até o carro, sendo possível visualizar a mão da vítima.
- 14 de dezembro, 5h04 – O investigado alterou a cena do crime ao arrastar o colchão utilizado até a garagem do prédio, numa tentativa de eliminar provas.
- 14 de dezembro, 5h10 – Alison deixou o prédio dirigindo o veículo pelo banco do passageiro, com Henay já sem vida no banco do motorista.
- 14 de dezembro, 5h56 – O carro passou pelo pedágio na MG-050, em Itaúna, onde a vítima apareceu imóvel no banco do passageiro.
- 14 de dezembro, 6h15 – O investigado provocou intencionalmente uma colisão com um micro-ônibus, simulando um acidente para acobertar o crime.
- 15 de dezembro, 7h50 – Alison foi preso pela Polícia Civil enquanto participava do velório de Henay, apresentando arranhões nos braços que sugerem uma possível luta e tentativa de defesa por parte da vítima.
Mudança na classificação do caso
Inicialmente, o ocorrido foi registrado como um simples acidente de trânsito. No entanto, a análise das imagens do pedágio, que mostraram Henay desacordada antes da colisão, levou a polícia a reclassificar o caso como feminicídio. Durante a passagem pelo pedágio, a atendente questionou se estava tudo bem, e Alison alegou que a namorada passava mal, conforme relatado pelas autoridades.
O investigado confessou à polícia que matou a namorada e simulou o acidente, sendo preso durante o velório e posteriormente transferido de Divinópolis para o Presídio de Itaúna no fim do ano passado. Este caso chocante destaca a violência doméstica e a importância das evidências visuais para elucidar crimes complexos.