Sorocaba aplica primeira tornozeleira eletrônica em caso de violência doméstica
A cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, registrou um marco importante no combate à violência contra a mulher. Na segunda-feira, dia 19, um agressor denunciado por violência doméstica recebeu a primeira tornozeleira eletrônica instalada no município. Este evento ocorre quase dois anos após o anúncio inicial da Secretaria de Segurança Pública (SSP) sobre a implementação do monitoramento eletrônico na região.
Histórico de atrasos e promessas
O programa de tornozeleiras eletrônicas em Sorocaba começou a operar em dezembro do ano passado, com um total de 250 equipamentos disponíveis. Inicialmente, a previsão era de que as instalações ocorressem no primeiro semestre de 2024, mas o prazo foi adiado em diversas ocasiões. Em fevereiro de 2024, o então secretário da SSP, Guilherme Derrite, anunciou que acusados de violência doméstica no interior paulista passariam a ser monitorados, com expansão planejada para até abril daquele ano, o que não se concretizou em Sorocaba.
Em março de 2025, mais de um ano após o primeiro anúncio, Derrite visitou Itu e reiterou a promessa de que o monitoramento eletrônico para casos de violência contra a mulher entraria em funcionamento no interior ainda no primeiro semestre de 2025. No entanto, a medida só foi efetivada em dezembro de 2025, evidenciando os desafios logísticos e burocráticos enfrentados pelo programa.
Foco inicial em violência contra a mulher
De acordo com informações da SSP, embora outros tipos de crime possam ser incluídos no futuro, o foco inicial do monitoramento em Sorocaba será nos casos de violência contra a mulher. Esta priorização reflete um esforço contínuo do governo estadual para enfrentar esse grave problema social. Desde a implantação do programa na capital paulista, em setembro de 2023, e posteriormente na Baixada Santista, mais de 1,1 mil pessoas já foram monitoradas.
Os resultados têm sido significativos, com 163 prisões registradas, sendo 112 delas por descumprimento de medidas protetivas de urgência. Esses números destacam a eficácia da tornozeleira eletrônica como uma ferramenta de dissuasão e controle, ajudando a garantir a segurança das vítimas e a aplicação da lei.
Ações complementares de proteção
A SSP reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher segue como uma prioridade permanente, com ações voltadas para a ampliação dos canal de denúncia, atendimento especializado e prevenção de feminicídios. Como parte dessas iniciativas, o governo estadual lançou o aplicativo SP Mulher Segura, que atualmente conta com 42,7 mil usuárias ativas.
O aplicativo já registrou 1,6 mil boletins de ocorrência e 6,9 mil acionamentos do botão do pânico, demonstrando sua utilidade como um recurso adicional de proteção. Essas medidas, combinadas com o monitoramento eletrônico, formam uma rede integrada de segurança que busca reduzir os índices de violência e oferecer suporte às mulheres em situação de risco.
A instalação da primeira tornozeleira em Sorocaba simboliza um passo importante na consolidação desses esforços, embora os atrasos anteriores tenham levantado questões sobre a agilidade na implementação de políticas públicas. A expectativa é que, com o programa agora em funcionamento, mais casos possam ser monitorados, contribuindo para um ambiente mais seguro na região.